A população de abelhas está diminuindo de forma expressiva pelo mundo. Elas estão entre os principais insetos responsáveis pela polinização e sua falta pode gerar prejuízos para os seres humanos e para a natureza em geral. A bióloga Clair Viecelli explica que a queda na população mundial de abelhas tem explicação: “São vários os motivos que podem estar levando a esse índice. Mas o principal, o mais comentado, é o uso de agroquímicos, principalmente inseticidas, que matam as abelhas”.

A contaminação pode ser direta ou indireta, neste último caso devido ao contato com as flores e o néctar. “Ela acaba ingerindo esse químico que está na planta e morre logo em seguida”, complementa a doutora.

O impacto para a humanidade sem as abelhas é gigante, pois a maioria das plantas necessita do polinizador para dar continuidade ao seu ciclo. “O pólen é o principal alimento das abelhas, e quando ela vai até a flor acaba levando consigo as partículas que caem sobre outras flores, assim o processo de fecundação ocorre”, explica Clair Viecelli.

Das espécies conhecidas de plantas com flores, cerca de 80% dependem, em algum momento de animais polinizadores, segundo a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas. Mais de três quartos das espécies utilizadas pelo homem na produção de alimentos precisam dos insetos para uma produção de qualidade e quantidade.

Investimento pesado

Clair Viecelli explica que em um evento recente em São Paulo se viu que muitos agricultores estão investindo nas abelhas e construindo colmeias ao redor das plantações, gerando melhores produtos, sementes e com muito mais resistência biológica. Os grãos, como soja, e os frutos que são usados na alimentação humana dependem das abelhas. “Seja um abacate, um pêssego, o grão, todos eles só vão se desenvolver se tiver esses insetos e o principal é a abelha”, diz.

O próprio mel, que é muito consumido desde os primórdios, também está em risco. “Essa polinização é que gera o alimento para o mundo e é o que gera continuidade às espécies das plantas. Sem polinização não tem semente! As abelhas são fundamentais para todos nós, temos que preserva-las”.

O fato é tão preocupante que a bióloga explica que abelhas robôs estão sendo desenvolvidas em diversos países para ajudar no processo. “Mas mesmo assim, com tudo isso, nada substitui o poder que o inseto natural possui. Nunca será a mesma coisa”, reforça.

Grupo vasto

As abelhas formam um grupo diversificado, apesar da redução dos exemplares, compreendendo mais de 20 mil espécies pelo mundo. No Brasil, estima-se a existência de mais de 3 mil espécies. Cerca de 300 estão catalogadas.

Mais de 70% das culturas agrícolas dependem dos polinizadores e estima-se que boa parte de todos os alimentos que chegam à mesa tenham alguma relação com os polinizadores. Hoje, há muitos estudos, grupos e entidades preocupadas com esse desaparecimento das abelhas.

Região está em plena safra do mel

A safra de mel 2018/19 está aí. Na região oeste do Paraná o período começa neste mês de outubro e se estende até fevereiro de 2019, seguido pela safrinha, de março a maio.

Há cerca de dois meses os produtores realizaram, no período que antecede a safra, manejos como revisão das colmeias, fornecimento de alimento energético e proteico. “Esses fatores garantirão uma boa safra, somados aos outros 50%, que dependem de florações abundantes e do clima que deve ser seco e sem chuvas durante as floradas”, observa o técnico.

O processo de colheita é a primeira fase crítica para se garantir a qualidade e a manutenção das características originais do mel, sendo importante aplicar os princípios higiênicos e sanitários na condução do processo produtivo, desde o campo até a extração e envio do produto para beneficiamento. “Todos os procedimentos utilizados devem ser descritos e registrados em caderno de campo”, destaca Cristo Junior. Com a aplicação das BPA (Boas Práticas Apícolas), o apicultor assegura a qualidade do mel que entrega e permite a rastreabilidade.

Segundo Tadeu Roque de Cristo Junior, as expectativas são boas para a safra que acaba de começar com o aumento considerável de colmeias na região e da crescente profissionalização dos apicultores por meio da assistência técnica continuada e gratuita fornecida pela Biolabore, por meio do Projeto de Agricultura Orgânica na Bacia do Paraná 3 da Itaipu Binacional.