Administração pública inovadora/serviço público eficiente

Opinião de Alexandre Lima

Dois termos que não têm o hábito de andar juntos são inovação e setor público. Raras vezes aparecem em conjunto e, quando o são, normalmente, vêm com uma carga de negativismo pela descrença no Estado. Uma boa parcela da população perdeu sua fé no Estado com o decorrer dos anos principalmente pelo que aconteceu no meio político/setor público: projetos e ações que, em vez de levarem o País para frente, acabaram o atrapalhando, burocratizando ainda mais, gerando uma resistência na gestão pública na adaptação com o novo mundo.

Logo, quando se fala inovação, ocorre o descrédito. Mas, sim, é possível e fundamental o setor público andar de mãos dadas com a inovação indo além.

Um processo de proatividade do Estado pode impulsionar a inovação e as melhorias de serviços. Há uma tendência chamada de “coprodução” que pode resgatar a confiança da população no serviço público por meio de uma colaboração entre os dois e a partir disso criar estabilidade necessária para que o Estado, através dos seus servidores, consiga implantar a administração pública inovadora.

Em alguns países desenvolvidos como Suíça, Países Baixos, Suécia, Reino Unido é comum os cidadãos serem colabores ativos em projetos do governo. É necessária essa nova transformação do governo para que a população sinta-se parceira, mantendo um laço de confiança e transparência política em que eles podem contribuir com novas ideias e abordagens, porém tendo em vista a importância de que inovação não é descaracterização do Estado.

Um exemplo de coprodução já ocorre em São Paulo. A iniciativa “Agentes de Governo Aberto” funciona colocando cidadãos para ministrarem cursos de governo aberto para funcionários públicos, não apenas melhorando a prestação de serviço, como também moldando novas ideias políticas. A iniciativa já capacitou 20,3 mil cidadãos. Outro exemplo é o trabalho que o PTI (Parque Tecnológico Itaipu) e a Associação dos Municípios do Paraná estão fazendo por meio dos cursos de formação continuada, preocupados com essa modernização.

O governo tem que ter o benefício com a troca de ideias, ações e resoluções do setor privado, usando como exemplo e ajudando no desenvolvimento das ações no setor público, porém mantendo a linha governamental para que, ao aplicar as técnicas privadas, não ocorra nenhum resultado indesejado ou uma cópia artificial do que poderia funcionar e falhou ao ser mal executado no âmbito público.

Combinar compras públicas, investimentos em tecnologia, ciência e informação, e introduzir na rotina do serviço público a colaboração de ações de equipes interdisciplinares, aprendizagem e criatividade com incentivos, são estratégias para a iniciação de soluções inovadoras, proporcionando qualidade e funcionamento de serviços públicos, encaminhando o País para o desenvolvimento econômico e justiça social.

Erros são inevitáveis quando uma determinada ação não é totalmente estudada e testada antes de colocá-la em prática. É simples pensar que o governo e a população podem de repente começar uma aliança no intuito de melhorar o País, que se pode infiltrar exemplos de iniciativas privadas no setor público e que isso dará início a um desenvolvimento acelerado.

Porém há um freio.

É de extrema importância que o colaborador público esteja aberto e tentado a participar ativamente de criação de ideias e abordagens para cada pequeno setor da administração pública. Testar é fundamental. Mentes em expansão de líderes dispostos a tentar e arriscar a coprodução.

Juntamente com essa ideia de que falhas podem ocorrer, surgiu a ideia de promover ambientes de testes, evitando o gasto de dinheiro público e acelerando a implantação de medidas sabendo o que é certo e o que acabará por se tornar inviável.

Nesse quesito, os laboratórios de inovação são a tendência ao testar e validar novas ideias em escalas gerenciáveis antes de torná-las uma medida de grande escala. Trazendo os líderes de colaboração pública para trabalhar com pessoas de fora do governo investigando e experimentando as soluções inovadoras no âmbito público.

Há um longo processo para trazer a inovação para a administração pública, mas também há meios para facilitar a implantação das medidas, o que só trará benefícios para o País. Acabar com o pensamento de que o governo só pode andar pela mesma e velha ideia de sempre e trazer tecnologia para todos os setores fará a diferença.

O Brasil tem o porte necessário, agora basta as mentes para o encaminhar rumo ao desenvolvimento, aproveitando tudo o que ele pode oferecer. Um país em expansão tem que estar aberto a novas ideias e colaborações sempre mantendo o foco no bem maior. Reforçando que inovar não é descaracterizar, é desenvolver.

 

Alexandre Limaalexandre@alexandrelima.com.br

Erros são inevitáveis quando uma determinada ação não é totalmente estudada e testada antes de colocá-la em prática

Há um longo processo para trazer a inovação para a administração pública, mas também há meios para facilitar a implantação das medidas, o que só trará benefícios para o país



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