Ainda que a ferramenta seja o futuro da comunicação, ainda precisa de ajustes para adesão em larga escala.

As constantes transformações pelas quais o mundo passa – e continuará passando – exigem também mudanças tecnológicas imediatas. Uma delas é a implementação da 5G, que deve seguir a tecnologia 4G, contando, entre outros itens, com maior velocidade. Mas, qual é a principal barreira para a implantação da rede 5G no Brasil?

Falamos em barreira porque ainda há processos pelos quais a tecnologia deve passar até sua implantação em larga escala. Ainda que a aposta em tecnologias móveis seja essencial, é preciso oferecer segurança regulatória que permita, entre outras questões, a aquisição e instalação por investidores públicos e privados.

Mesmo diante das afirmações de que a 5G veio para transformar o mundo como conhecemos, existem fatores importantes a considerar. Um deles é a estrutura necessária para funcionamento, uma vez que, sem ela, a 5G torna-se inútil. Outra preocupação concerne aos custos de implementação.

O que é a internet 5G?

A promessa maior da 5G é a velocidade e amplitude na transmissão de dados. A tecnologia 4G veio para ampliar o fluxo de dados, o que permitiu o uso de aplicativos e redes sociais, por exemplo. Com a tecnologia 5G, as antenas correspondentes ao seu sinal serão acopladas às existentes do celular, aliando novas infraestruturas e conexões.

A consequência é o maior número de conexões simultâneas e transferência de dados acima de 10GB/s. Aí está a principal diferença da 5G: a taxa de transmissão da nova tecnologia é dez vezes maior. Em suma, as principais diferenças entre 4G e 5G são maiores velocidades e largura de banda, menor tempo de atraso na comunicação entre servidor e dispositivo.

Imagina só assistir à Netflix com VPN grátis, por exemplo, desbloqueando o streaming em qualquer lugar do mundo, em tempo real. Isso porque, com a 5G, uma página da internet será carregada em 25 milissegundos. Será uma rede mais inteligente, permitindo a conexão de mais aparelhos, favorecendo, por exemplo, de casas e cidades inteligentes.

O que falta para ter a 5G no Brasil?

A expectativa é de que, no Brasil, a implementação das redes e comercialização dos produtos 5G só aconteça entre o final de 2021 e o começo de 2022. Porém, alguns pontos são importantes quanto às barreiras para que isso, de fato, aconteça. Uma delas é a condição estabelecida em edital de compartilhamento de infraestruturas passivas e ativas.

Isso significa que tudo deverá ser compartilhado, desde a parte física, como dutos, fibras e postes, até a tecnológica, a exemplo da transmissão de dados, virtualização e equipamentos. O objetivo é fomentar novos negócios. Outro ponto forte, a partir daí, é o próprio mercado brasileiro que, atualmente, é dominado por quatro grandes operadoras.

O custo da implementação é alto, mesmo com a opção pelo mecanismo de leilão, mas é reduzido se houver o compartilhamento de rede. Na prática, quanto mais operadoras de telefonia móvel existirem, mais barato fica implementar a 5G no Brasil. Um resumo feito pela KPMG Brasil trata bem das barreiras enfrentadas pela 5G no Brasil.

1)    Altos custos envolvidos

Como já destacamos, os custos de implantação da 5G são altos, razão pela qual alguns países optaram pelo mecanismo de leilão. Ainda, no âmbito nacional, as operadoras que representam 97% do mercado identificaram queda de 19% nos acessos, o que indica certa mudança nos hábitos do consumidor brasileiro.

Por isso, o incentivo ao compartilhamento de rede, o que reduz substancialmente os custos de implementação.

2)    Geografia e extensão territorial

A publicação da KPMG considera que os projetos de implementação precisam ser eficientes, velozes e dividir o território brasileiro proporcionalmente, universalizando o acesso à tecnologia. A Anatel deve leiloar três frequências: 3,5GHz (200 MHz de capacidade), 2,3 GHz (100 MHz de capacidade) e 700 MHz (10 MHz de capacidade).

Ainda no quesito territorial, é preciso reiterar que, para implantar a tecnologia 5G, é necessário também que haja ampla cobertura da 4G, uma vez que a estrutura será aproveitada. O intuito é não deixar dúvidas sobre a relação entre a tecnologia 5G e a inclusão digital.

3)    Barreiras administrativas

Países que avançaram neste processo comercializam o 5G combinando bandas de espectro distribuídas entre diversas operadoras da rede móvel. Isso gerou maior concorrência e, consequentemente, formas de democratização. O que passa pela adoção de políticas que removam as barreiras administrativas para implantação.

Deste modo, governos devem se articular na instalação da infraestrutura básica necessária, adotando medidas que removam as barreiras burocráticas.

4)    Transparência na segurança regulatória

O investimento na nova tecnologia é alto, por isso, é preciso que investidores privados conheçam a fundo as intenções de reguladores e governos quanto à implementação. Por isso, tantas operadoras vêm relutando a aplicarem em larga escala. Mais uma vez, o papel dos governos locais é decisivo.

Analisando as ações estabelecidas onde a 5G encontra-se avançada, as políticas nacionais englobam espectro, superação das barreiras administrativas, acordos de compartilhamento de rede e financiamento público. E, novamente, notamos a necessidade de haver mais certezas regulatórias.