Você certamente já virou o pescoço para ver aquele carro que talvez tenha sido fabricado bem antes de você nascer. Em Cascavel, isso não é difícil. Isso porque a cidade tem se tornado um polo de colecionadores, que, na prática, são verdadeiros restauradores. Segundo a Avac (Associação de Veículos Antigos de Cascavel), há mais de 500 carros de coleção registrados na cidade, mas se contar os não associados ou de clubes, o número chega facinho a 3 mil relíquias.

A associação nasceu em 2014 com o propósito de chamar atenção das pessoas para a paixão pelo carro antigo, conforme conta o presidente da entidade, Vanderlei Morais “Nós já somos referência no automobilismo com a Stock Car e a Cascavel de Ouro, então quatro anos atrás nós pensamos também em transformar a cidade em um cenário de antigomobilismo, que é a cultura do carro antigo. Começamos a promover encontros, levar os carros a eventos e promover várias ações para incentivar as pessoas a resgatarem a história. Aos poucos fomos despertando nas pessoas a vontade de preservar o carro antigo e, com ele, sua história”.

A ideia deu tão certo que hoje a cidade de Cascavel é referência regional em carros antigos e a Avac é pioneira no oeste do Estado.

 

Brincadeira séria

Quando o assunto é carros antigos, Cascavel tem colecionador com os gostos mais variados. Modelos dos anos 60, 70, 80, modelos importados e nacionais. O que vale é compartilhar da paixão por carros históricos.

O presidente da Avac (Associação de Veículos Antigos de Cascavel), Vanderlei Morais, lembra que quando o clube fez sua primeira aparição na Festa do Trabalhador de 2014 havia 54 carros antigos. Já no encontro deste ano número já eram 512.

Eles participam dessas ações justamente para mostrar que o grupo leva a ideia a sério. “Não queremos que as pessoas pensem que isso é uma brincadeira de gente burguesa, mas um hobby sério. Nós amamos os carros antigos e incentivamos nossos filhos e netos a amarem também. Isso é cultura”.

Molho mais caro que o peixe

Quem tem ou compra um automóvel antigo sabe que com ele vêm alguns “abacaxis”. O carro está inserido em uma realidade completamente diferente dos tempos em que ele foi planejado para ser útil. Isso implica em problemas mecânicos, elétricos, dificuldade para encontrar peças e, claro, tudo isso a preços bem mais caros do que para um carro popular atual.

Mas o presidente da Avac, Vanderlei Morais, que também tem uma empresa especializada em restauração de carros antigos, garante que os donos não se importam com os gastos de restauração e explica o motivo: “Tenho um cliente que perdeu sua mãe há pouco tempo e dela herdou uma Variant 1981. Agora ele quer pintá-la inteira, restaurá-la para deixá-la para os netos. Ele deve gastar uns R$ 20 mil. Se colocar o carro à venda, por mais impecável que esteja, vai pegar no máximo R$ 13 mil, mas aí eu te pergunto: alguém vende ou compra sentimento?”