
Enquanto dezenas de milhares de manifestantes tomavam as ruas, trabalhadores atenderam ao apelo do sindicato cruzando os braços em refinarias de petróleo, usinas nucleares e ferrovias, além de montarem barricadas em estradas e queimar pallets de madeira e pneus em portos essenciais, como o de Le Havre, e perto de grandes centros de distribuição.
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, insistiu que o governo não vai retirar a lei e que desmantelará os bloqueios nas refinarias, dizendo que pode haver alguns ajustes nas reformas, mas não em seus pontos principais. Valls recebeu o apoio do outro grande sindicato de comerciários do país, o CFDT.
Depois de meses de greves em esquema de rodízio, desencadeados por uma reforma que almeja tornar contratações e demissões mais fáceis, os bloqueios e manifestações de rua desta quinta-feira foram observados atentamente como um teste que mostrará se a oposição encabeçada pelo CGT é consistente ou corre o risco de perde fôlego.
Os protestos de rua contaram com a adesão de dezenas de manifestantes de um grupo de jovens chamado Nuit Debout. A polícia se mobilizou para se contrapor ao risco de episódios de violência às margens dos protestos, nos quais 350 policiais e vários manifestantes ficaram feridos. Mais de 1.300 pessoas foram presas em passeatas semelhantes nas últimas semanas.
O chefe do CGT, Philippe Martinez, quando indagado pela Reuters se seu sindicato está disposto a atrapalhar o andamento da Euro 2016, respondeu: ?O governo tem tempo para dizer ?parem o relógio?, e aí tudo ficará bem?.
Jean-Claude Mailly, líder do FO, sindicato de menor porte que também está protestando, disse no início de uma marcha em Paris: ?Na linguagem do futebol, está na hora de o primeiro-ministro receber o cartão vermelho?.