Tornados e granizo afetam 270 mil hectares e pressionam próxima safra

A agricultura, historicamente reconhecida como uma “indústria a céu aberto”, mais uma vez sentiu o peso da vulnerabilidade às forças da natureza. Apesar dos números recentes apresentados pela Secretaria Estadual da Agricultura, apontando para a maior safra de grãos da história do Paraná, com 46,8 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2024/2025, graças às culturas da soja, feijão, cevada e milho, um novo levantamento revelou a dimensão dos estragos provocados pelos extremos climáticos registrados há poucos dias no Paraná, comprometendo principalmente a safra de soja 2025/2026.

Estragos e impactos

Chuvas de granizo, vendavais, enxurradas com erosão e, principalmente, a passagem de um ciclone extratropical originaram três tornados devastadores que atingiram diversas regiões do Estado, com impacto severo no campo e também nas áreas urbanas do município de Rio Bonito do Iguaçu.

Os números evidenciam a gravidade da situação. Pelo menos 270 mil hectares de lavouras sofreram algum tipo de dano, traduzindo-se em prejuízos significativos aos produtores rurais – o impacto financeiro ainda está em fase de elaboração por parte do Governo do Paraná. Destes, 80 mil hectares foram classificados com perdas severas, onde a destruição foi tamanha que boa parte das áreas deverá ser completamente replantada. A necessidade de refazer o plantio, além de exigir mais tempo, implica novos investimentos justamente em um momento já marcado pelo aumento dos custos de produção e pela pressão constante sobre a rentabilidade no campo.

Nos 190 mil hectares restantes, embora a devastação não tenha atingido níveis tão extremos, o cenário também é preocupante. A redução da produtividade é considerada inevitável, e as projeções iniciais, que indicavam uma safra promissora, agora precisam ser revistas diante da limitação do potencial produtivo. Técnicos avaliam que a perda de qualidade das plantas e o estresse causado pelos fenômenos climáticos reduzirão de forma significativa o rendimento esperado. As regiões mais atingidas pelo clima severo foram Campo Mourão, Londrina, Maringá e toda a faixa Centro-Oeste do Estado, áreas tradicionalmente importantes para o avanço da soja paranaense. Em algumas localidades, o cenário encontrado após a passagem dos tornados no campo é descrito como um verdadeiro “tapete de folhas e galhos”, com lavouras inteiras e estruturas agrícolas retorcidas pelo vento. Plantas foram arrancadas e solo exposto pela força da enxurrada e do tornado.

Repercussões dos Eventos Climáticos

Para os produtores, além do impacto emocional e econômico imediato, cresce a preocupação com o calendário agrícola. O replantio, quando possível, precisa ser realizado rapidamente para evitar perdas ainda maiores ao longo do ciclo da cultura. Mesmo assim, a nova semeadura dificilmente alcançará o mesmo potencial das lavouras implantadas dentro da janela ideal. O episódio reacende o debate sobre a imprevisibilidade climática e a necessidade de políticas públicas mais robustas voltadas à mitigação de riscos no campo, como melhoria no acesso ao seguro rural, programas de apoio emergencial e investimentos constantes em tecnologias de monitoramento e resiliência climática.

Ações e Reações no Setor Agrícola

Enquanto técnicos seguem avaliando os danos e produtores calculam prejuízos, o Paraná tenta se reerguer diante de mais um capítulo de instabilidade climática que reforça a fragilidade de uma atividade que depende, diariamente, do equilíbrio entre céu e terra.