
Cascavel - Como é de conhecimento público, e com grande repercussão, tramita na Câmara de Vereadores de Cascavel uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga possíveis falhas da gestão municipal em relação às denúncias de abuso sexual envolvendo um ex-agente educacional em um Cmei (Centro Municipal de Educação Infantil). A Comissão foi instaurada em julho deste ano e é composta por cinco vereadores responsáveis por conduzir as oitivas, analisar documentos e apurar eventuais omissões ou negligências do Poder Executivo diante das denúncias.
O assunto ganhou ainda mais visibilidade em meio à polêmica das recentes denúncias de abusos supostamente cometidos por religiosos na cidade. Nesse contexto, a reportagem de O Paraná apurou informações exclusivas sobre um dos assessores de um vereador que integra a CPI. Conforme os dados obtidos, o servidor em questão já respondeu a um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) instaurado pela Prefeitura de Cascavel, à época que referido assessor ocupava cargo no Executivo.
Atraso?
De acordo com os documentos, o procedimento foi aberto em 2024 para apurar denúncias de assédio e conduta considerada inapropriada envolvendo três servidores municipais. Segundo a portaria de instauração, os investigados teriam feito comentários de cunho sexual classificados como ofensivos, além de tentar forçar intimidade com estagiárias. As situações relatadas teriam ocorrido em 2022, mas somente dois anos depois as denúncias foram oficialmente alvo de investigação administrativa. Quando o processo finalmente foi instaurado, o atual assessor do parlamentar já havia deixado os quadros da Prefeitura de Cascavel.
O nome do assessor, assim como o do vereador ao qual ele está vinculado, será preservado nesta reportagem, bem como os demais servidores citados no procedimento. Isso porque ainda não foi possível ter acesso ao relatório final do PAD, documento que poderia confirmar se houve aplicação de penalidades ou eventual absolvição dos acusados. Sem essa informação oficial, não é possível atestar se as denúncias resultaram em alguma sanção administrativa ou se os envolvidos foram isentados das acusações.
Questionamentos
A revelação levanta questionamentos sobre a escolha de assessores para cargos de confiança na Câmara de Vereadores, especialmente em um momento em que o Legislativo conduz uma investigação de extrema relevância para a sociedade cascavelense, relacionada à proteção de crianças no ambiente escolar, além da celeridade e eficiência dos processos internos do Executivo.