Cascavel – A Secretaria de Educação de Cascavel divulgou ontem resultado da pesquisa feita com pais sobre a volta das aulas presenciais na rede municipal e o resultado chama a atenção: sete de cada dez pais que responderam à consulta não têm intenção de mandar os filhos para a escola neste ano. As aulas estão suspensas desde a metade de março em função da pandemia do novo coronavírus.

“A pesquisa ficou aberta por dez dias e cerca de 50% a 60% dos pais participaram, o que nos entristece muito, uma vez que é uma consulta importante. Dos que participaram, na educação infantil, 60,8% dos pais não quererem o retorno; no Ensino Fundamental, 73,3% também se manifestaram pelo não retorno; e, no ensino de jovens e adultos, 74% não querem voltar neste ano. Vale lembrar que, no EJA, grande parte dos alunos tem mais de 60 anos e possui comorbidades”, explica a secretária de Educação, Marcia Baldini.

Podiam participar pais e responsáveis por alunos dos Cmeis (Centros de Educação Infantil), das escolas e do EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Segundo Marcia, considerando os cerca de 31 mil alunos e o contingente de funcionários, a volta das aulas da rede municipal compreende um universo de 100 mil pessoas.

A secretária informou ainda que já existem três licitações em curso para aquisição de itens de higiene, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e outros objetos para adaptação das escolas para um possível retorno. Somente a licitação para aquisição de EPIs está orçada em R$ 18 milhões.

A secretaria deve arcar com os custos e já analisa o orçamento e o planejamento para investimentos do gênero para o próximo ano.

Existe a previsão também de um projeto-piloto de retorno em algumas escolas, por um período de 15 dias, para verificar como todos os envolvidos se comportariam, mas ainda não há prazo para que isso ocorra.

 Município libera volta da rede privada

No mesmo dia em que divulgou o resultado da pesquisa da rede municipal, o Município de Cascavel publicou novo decreto (15.704, de 5 de outubro) que autoriza a retomada das atividades do Ensino Médio e do 9º ano do fundamental, além da realização de atividades extracurriculares, dos anos finais do Ensino Fundamental (a partir do dia 14 de outubro); dos anos iniciais do Ensino Fundamental (a partir do dia 19 de outubro); a retomada das atividades presenciais do ensino infantil, de até 5 anos, a partir de 21 de outubro. Essas séries são específicas da rede privada de ensino.

O decreto estipula uma série de medidas de prevenção e controle que devem ser tomadas pelas instituições. Cada uma deve também apresentar o Plano de Contingência e Responsabilidade Sanitária.

Além disso, há uma série de especificações de como as instituições devem proceder quanto a casos suspeitos e/ou confirmados da covid-19.

Ainda dentre as obrigações para o retorno estão medidas como: permitir a manutenção do ensino híbrido (presencial e on-line) ou facultativo aos alunos; não permitir o retorno de alunos com doenças crônicas; disponibilizar atenção especial a pais surdos ou com outra deficiência para recebam as informações em Libras; exigir a carteira de vacinação atualizada; realizar escalonamento de alunos para entrada e saída; manter distanciamento de 1,5 metro entre alunos; manter cantinas fechadas e realizar a limpeza/desinfecção dos espaços duas vezes ao dia, entre outras medidas.

O cumprimento das medidas será fiscalizado pela Vigilância Sanitária do Município.

Estado mantém negativa, mas Sinepe/PR defende o retorno

Em Cascavel, o Sinepe (Sindicato das Escolas Particulares) assegura que as escolas têm condições de atender a todas as medidas sanitárias solicitadas, e defende o retorno das aulas com base na liberação municipal. O problema é que esbarram na decisão da Secretaria de Estado da Educação em não validar as atividades presenciais realizadas sem a liberação da Secretaria de Estado da Saúde. “As escolas de Cascavel estarão atendendo o decreto municipal. Quanto à validação [das aulas] pela Seed ou não, entendemos que isso não cabe, pois, como nós temos um decreto que prevê a volta e as escolas estarão em aulas presencias e elas serão registradas e acontecerão seguindo os protocolos previstos no decreto, não há o que não ser reconhecido. E, caso haja qualquer questionamento por parte da Seed, isso pode desencadear uma discussão judicial, que acreditamos que não vai acontecer, pelo próprio bom senso da secretaria em entender que Cascavel está com os números sob controle e que há um decreto em que as autoridades entendem que é possível o retorno. Sem contar que a sociedade como um todo está na ativa, pais e mães estão trabalhando e por que não as escolas? Não teríamos nem resposta para isso. Esse é o parecer da regional de Cascavel e da reunião que tivemos com as escolas. Elas decidiram pelo retorno às atividades”, garante o diretor-presidente da Regional Oeste do Sinepe/PR, Gelson Luiz Uecker.

A reportagem consultou as duas secretarias estaduais sobre o novo decreto municipal e ambas reafirmaram que o posicionamento para o não retorno e a não validação das aulas está mantido.