Logo cedo, Renata Silva Ribas, de 16 anos, arruma os materiais na mochila e segue para o colégio onde frequenta o terceiro ano do curso técnico em Eletromecânica, que lhe incentivou a procurar um estágio na área e ter a primeira experiência profissional.

À tarde ela segue para a empresa que abriu um espaço até então ocupado somente por homens. Renata faz parte de equipe responsável pela manutenção de ônibus. No trabalho auxilia, sempre com o aporte de outro profissional, no conserto de motores e ares-condicionados. “Ajudo a consertar toda a parte mecânica e elétrica dos ônibus”, diz a estudante.

Renata faz história por ser a primeira mulher contratada para atuar neste setor. Como pioneira, o encarregado de manutenção, Luan Tobias dos Santos, diz que esta contratação, mesmo que por um período curto por conta do estágio, abre precedentes para que outras mulheres se interessem pela vaga ou por outras similares. Até a admissão de Renata, 40 homens executavam o serviço, hoje já com um toque mais feminino.

“Nunca tivemos uma mulher para ajudar no conserto dos ônibus. É um fato inusitado, algo novo e até mesmo uma coisa rara de se encontrar”, afirma Santos. Ele lembra que durante o processo seletivo ficou surpreso com a iniciativa de Renata e resolveu dar uma chance à aluna, que pretende seguir carreira na área.

Legenda: Renata Silva Ribas, de 16 anos, é a primeira mulher a trabalhar na manutenção de ônibus em uma empresa de Cascavel

(08local aprendiz mecânica_as)

 

“Somos capazes de tudo”

Mesmo com pouca idade, Renata já tem ideias bem estabelecidas quanto o papel da mulher na sociedade. Segundo ela, ingressar em setores profissionais dominados por homens não significa impedimento, mas sim, desafio.

“As mulheres precisam ir atrás do que desejam. Já estamos no século 21 e temos que dominar este mundo. Não há mais essa separação do que homem ou mulher podem fazer. Se você tem interesse, tem que buscar, fazer. Somos capazes de tudo”, reforça a estudante.

Em pouco mais de um ano Renata terá concluído o ensino profissionalizante. A aluna não pensa em parar por aí e tem planos bem traçados para o futuro. “Quero entrar em uma faculdade de Engenharia Mecânica e depois me dedicar a concursos públicos. Meu sonho é trabalhar na Copel ou na Itaipu como engenheira”, conta.