No mês em que a campanha de prevenção ao suicídio é reforçada, um episódio alarmante vem à tona em Cascavel: adolescentes entre 13 e 15 anos organizaram, há pouco mais de um mês, um suicídio coletivo. Três meninas que estudavam na mesma escola marcaram dia e hora para tirar a própria vida. Não fossem os burburinhos em sala de aula da trama das jovens que chegaram aos ouvidos da professora, o fim dessa história seria uma tragédia.

O caso chegou até o Conselho Tutelar Sul e foi relatado pela conselheira Terezinha Donegá. Segundo ela, essa ideação suicida, agora premeditada em grupos, se justifica por uma somatória de fatores, que gera um processo de identificação entre cada uma das adolescentes. “Muitos casos de tentativa de suicídio ocorrem pela falta de diálogo entre pais e filhos, pela violência doméstica, abuso sexual, conflitos dentro da própria casa, dificuldade em aceitar e conversar com os pais sobre a opção sexual, uso de drogas, enfim, fatores que culminam em depressão. E é aí que vem a ideia do suicídio”, conta.

O episódio que envolveu as três adolescentes não surgiu pela internet nem redes sociais nem teve influência de jogos no estilo Baleia Azul, em que desafios eram lançados via WhatsApp àqueles que aceitassem participar e cujo game over era quando o jogador tirasse a própria vida. “Essas meninas combinaram verbalmente o que iriam fazer. Marcaram hora e data para cometer o suicídio”, relata a conselheira.

Outro caso

Segundo Terezinha, caso semelhante aconteceu em Ibema, quando um grupo de adolescentes decidiu tirar a vida, também em um suicídio coletivo. Nesse caso, eram meninos. A situação chegou até o Naps (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), que foi procurado pela reportagem, porém, ninguém atendeu aos telefonemas.

50 tentativas em um ano

As tentativas de suicídio entre adolescentes, no entanto, são mais comuns do que se imagina. Conforme o presidente do Conselho Tutelar Sul, Everaldo Silva, desde o início deste ano foram atendidos em torno de 50 casos envolvendo jovens de até 18 anos que tentaram, de alguma forma, contra a própria vida. Isso só em Cascavel.

O número corresponde a uma média de dez atendimentos a cada um dos cinco conselheiros que atuam no local. Na maioria dos casos, as tentativas ocorrem entre meninas. A faixa etária mais atingida é entre 13 e 17 anos, que se automutilam ou abusam de medicamentos.

Legenda:

Jovens depressivos se unem e decidem tirar a vida juntos

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15 anos e quatro tentativas

Um conflito entre mãe e filha, agravado por problemas externos, provocaram em uma adolescente de 15 anos o desejo de morrer. Por quatro vezes a jovem tentou suicídio, frustrado em cada uma delas. A assistente social e conselheira Eleni Cabral foi quem atendeu a menina, que hoje passa por tratamentos psicológicos.

E foi com Eleni também que outros três casos – todos envolvendo meninas – foram tratados. “Uma delas tinha planejado se suicidar no dia do próprio aniversário. A data escolhida era uma sexta-feira, só que, por sorte, na quinta, a professora ficou sabendo. Ela rapidamente levou o caso adiante, e evitou uma tragédia”, conta.

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Peça ajuda! Ligue 188

O Setembro Amarelo foi escolhido como mês de prevenção ao suicídio. Tema considerado tabu, o assunto vem à tona com divulgação de dados e realização de palestras. Acima de tudo, divulgação do CVV (Centro de Valorização à Vida), que atende 24 horas por dia pelo telefone 188. Ligue, peça ajuda, falar pode ser a solução. A ligação é gratuita.