COTIDIANO

Sindicatos rejeitam reajuste parcelado e assembleia vai apreciar indicativo de greve

13 de julho de 2022 às 10:27
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Cascavel – A queda de braço entre os servidores municipais e a administração municipal de Cascavel referente ao reajuste salarial continua causando tensão. Em uma nova rodada de discussões na manhã de ontem (12), os dois sindicatos que representam o funcionalismo municipal reiteraram o reajuste parcelamento e não houve avanços nas negociações. Com isso, os sindicatos já apontam um possível “indicativo de greve” nas próximas assembleias. O Município ofereceu 12,47% parcelado em 12 vezes a partir de outubro, mas sindicatos querem que pagamento seja feito em parcela única.

A primeira assembleia ocorre na noite de hoje (13), a partir das 19h, no Centro Cultural Gilberto Mayer. De acordo com o presidente do Sismuvel (Sindicato dos Servidores Municipais de Cascavel), Ricieri D’Estefani Junior, a reunião não teve nenhum avanço. “Vamos aguardar até o início da assembleia uma nova proposta, mas caso não haja, um indicativo de greve é bem justificável”, disse. Na última reunião, os servidores optaram por não aceitar o parcelamento de 12,47%, referente a reposição da inflação do período.

Para o presidente do Sismuvel, essa posição acaba voltando a primeira proposta feita pela a Prefeitura e causa “tensão” com a categoria, já que nada de avanço foi apresentado. Os servidores também não aceitam o auxílio alimentação no valor de R$ 314,58 proposto pelo Executivo apenas para os profissionais lotados no PSF, e propuseram o valor de R$ 500 para todos os servidores efetivos, o que consideram um “auxílio isonômico” para todo funcionalismo.

 

Professores

Josiane Vendrame, presidente do Siprovel (Sindicato dos Professores Municipais de Cascavel), avaliou a reunião como improdutiva, já que o Município insiste em parcelar em 12 vezes a reposição da inflação de todos servidores e não apresentou nenhuma proposta quanto ao pedido dos professores, que é 25,65% de defasagem do piso dos profissionais. A reunião dos professores ocorreu um pouco antes da realizada com o Sismuvel.

Para Josiane, o salário da categoria está defasado e isso reflete, inclusive, nos concursos públicos atuais e a falta de interesse de os aprovados assumirem os cargos. “Ninguém quer trabalhar com o valor que é pago hoje em Cascavel, por isso a dificuldade de conseguir preencher as vagas”, reforçou a presidente, que fez no começo da tarde de ontem uma live para os professores e funcionários da educação, já que a categoria está em recesso escolar.

O Siprovel agora trabalha para marcar uma nova assembleia e aprovar um calendário de mobilização com indicativo de greve. Segundo Josiane, atualmente é pago salário de R$ 1.775,53 para os professores de 20h com pedagogia, sendo que o piso é de R$ 1.922,67, enquanto para professores de 40 horas semanais, R$ 3.225,56, com o piso estabelecido em R$ 3.845,34. “Precisamos que essa diferença seja paga para equiparar o nosso piso, mas até agora não tivemos nenhuma posição para isso”.

Foto: Secom

Prefeitura mantém proposta de “8x”

A secretária municipal de Planejamento e Gestão, Vanilse Pohl, reforçou que o pagamento do reajuste em uma parcela única não é possível e os motivos já foram explicados aos dois sindicatos, principalmente relativo à perda que o Município terá com a queda de arrecadação do ICMS que ainda não foi consolidada. Sobre o parcelamento, ela disse que o Município apenas respondeu a negativa dos servidores em não parcelar, mas mantêm a possibilidade de reduzir o número de parcelas para oito.

Sobre o pagamento do piso, Vanilse disse que a prioridade agora é fechar primeiro a reposição geral dos cerca de 9,1 mil servidores para, em seguida, proceder a análise das outras pautas. A data base de todo funcionalismo público é dia primeiro de maio e o reajuste de 12,47% terá um impacto financeiro de cerca de R$ 70 milhões, sendo R$ 5,5 milhões este ano e o bolo maior de R$ 64,5 milhões para o próximo ano.

O Município também propôs o aumento salarial de algumas categorias, como agente de apoio, coveiro, pedreiro, auxiliar de serviços gerais, auxiliar de manutenção de instalações, operador de máquinas, reajustes que variam de 15,8% a 40,7%, de aumento no início da carreira, ou seja, cargos que tem salários menores um aumento real sobre a tabela inicial.

Outro ponto destacado pela secretária é o acumulado de reajuste do ano. Em janeiro foi repassado o índice de 2,46% referente a 2020 e 7,59% do reajuste de 2021 que incidiram nas folhas de pagamento de maio, julho e setembro, sendo 2,54% cada parcela. Diante disso, a proposta é iniciar o pagamento dos 12,47% a partir de outubro.

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