Sem pagar médicos, Unioeste licita ar-condicionado

A crise no HU (Hospital Universitário) de Cascavel se acentua e ontem de manhã não havia nem paracetamol para medicar os pacientes.

Cascavel – Sem pagar os salários dos 130 médicos terceirizados que atuam no HU (Hospital Universitário) de Cascavel desde abril, a Unioeste publicou esta semana um edital para licitação de ar-condicionado com serviço de instalação e tubulação para atender a Reitoria e as unidades da universidade em Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Francisco Beltrão e Foz do Iguaçu.

A publicação legal ocorre em meio a uma paralisação parcial dos médicos que se iniciou na sexta-feira (28) e só se resolver quando o pagamento for regularizado.

Os médicos trabalham em esquema de plantão e atendem apenas casos de urgência e emergência.

De acordo com alguns profissionais que atuam no hospital, cirurgias eletivas não são mais feitas desde sábado e o internamento desses pacientes foi suspenso um dia antes.

Ainda na sexta-feira, a Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) – responsável pelo HU – informou que, em conversa do reitor Paulo Sergio Wolff e o superintende da Seti (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), Aldo Bona, ficou estabelecido que recursos seriam liberados e os pagamentos seriam feitos no início desta semana, assim como a compra de insumos e medicamentos para o hospital. Mas até o momento isso ainda não aconteceu.

Sem medicamento

Na tarde de ontem, familiares de pacientes que estão internados no HU entraram em contato com a reportagem do Jornal O Paraná afirmando que, pela manhã, não havia paracetamol, medicamento analgésico e antitérmico. Além disso, eles disseram que a qualidade da comida oferecida aos pacientes diminuiu significativamente nos últimos dias.

A falta de insumos básicos no hospital tem sido constante: há cerca de 30 dias uma reportagem do Jornal O Paraná noticiou a falta de seringas e fraldas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal, além de outros produtos.

Sem resposta

Questionada sobre todos os fatos citados acima, a Unioeste não se prestou ao trabalho de responder.

Sem previsão

Já o governo do Estado, questionado sobre a situação dos médicos sem salário, informou que o repasse das cotas orçamentárias para os hospitais universitários está sendo realizado de acordo com o cronograma previsto.  Informou ainda que o governo do Estado, por meio das Secretarias da Saúde, da Fazenda e da Ciência e Tecnologia, “está analisando a situação do HU de Cascavel, para que não haja prejuízo no atendimento à população”.

Concurso público

Além do atraso nos salários, a Unioeste ainda tem outra bomba prestes a estourar. Termina em agosto o prazo dado pela Justiça para que a universidade não tenha mais médicos terceirizados.

O concurso com mais de 600 vagas para a contratação de profissionais que atuariam no hospital foi suspenso pelo Estado porque a instituição não havia solicitado autorização. Até o momento, nenhuma solução foi apresentada.

Questionada sobre o problema, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que está contribuindo com a solução da situação junto da Unioeste e que no momento o assunto está em discussão.

A universidade não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem do Jornal O Paraná.

Reportagem: Cláudia Neis

 

 



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