Cascavel – Uma grave denúncia chegou até a redação do Jornal O Paraná relacionada a falta de estrutura básica de trabalho para os funcionários de alguns setores do Huop (Hospital Universitário do Oeste do Paraná). Segundo a denúncia, o problema teria começado há pelo menos duas semanas e se agravou nos últimos dias devido as altas temperaturas que a cidade tem passado. O aparelho de ar-condicionado da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulta e do Centro Cirúrgico do HU queimou e o calor está incomodando pacientes e funcionários que dividem o mesmo espaço.

De acordo com um funcionário que preferiu não ser identificado, na UTI, por ser um setor fechado não há nenhuma entrada de ar, piorando a situação dos pacientes que já estão internados na unidade por apresentarem estado grave. Na quinta-feira (16), pelo menos 15 pacientes estavam internados na local e grande parte deles com febre, atingindo temperaturas acima dos 38 graus. “É desumano com os pacientes e com nós funcionários a situação que estamos passando”, disse o funcionário, relatado que a maioria ainda estão em ventilação mecânica.

O mesmo funcionário disse ainda que para tentar amenizar o problema, foram colocados toalhas e bolsas com gelo em cima dos pacientes que estavam bastante incomodados com o calor. Um deles, que estava em uma situação clínica um pouco melhor e consciente, pediu inclusive para chupar gelo para reduzir o calor que estava sentindo. Por ser local de fácil transmissão de vírus e de bactérias, dentro do espaço não pode ser colocado outros aparelhos como ventiladores e circuladores de ar, já que os mesmos podem promover a transmissão de doenças entre os pacientes.

O funcionário relembrou ainda que o problema no ar-condicionado começou de forma mais leve na segunda quinzena de novembro, mas que nas duas últimas semanas parou de funcionar.

 

Centro Cirúrgico

Além da UTI, o Centro Cirúrgico do Huop enfrenta o mesmo problema e nos dois setores não há nenhuma providência para remoção de pacientes, nem para cancelamento de cirurgias que continuam sendo realizadas. Para os funcionários, apenas foi repassada a informação de que uma empresa terceirizada está sendo contratada para resolver o problema.

“Na UTI, não tivemos óbito constatado por esse problema, mas causa danos, pois é muito tempo exposto ao calor excessivo. Além disso, tem famílias que reclamam da situação para nós funcionários que nem sabemos o que explicar diante do problema”, completou.

 

Contratação emergencial

A reportagem do Jornal O Paraná entrou em contato com o diretor-geral do Hospital Universitário, Rafael Muniz de Oliveira, que confirmou a pane no equipamento, que está “apenas ventilando e não refrescando”. Quanto ao tempo da existência do problema, ele contestou a data e falou que a direção soube que o equipamento apresentou falhas apenas no último sábado (11) e que desde então trabalha na solução.

De acordo com o diretor-geral do Huop, ainda no fim da tarde de ontem (16), estava programada uma reunião com o reitor da Unioeste, Alexandre Webber, para liberar a contratação da empresa especializada de forma emergencial, explicando que o processo de contratação emergencial dura em média uma semana, tempo menor que a contratação tradicional que é de pelo menos trinta dias.

 

Equipamento antigo

O diretor explicou ainda que os dois setores, tanto a UTI geral, quanto o Centro Cirúrgico, utilizam a mesma central de distribuição de ar e que o sistema tem mais de 10 anos. Por ser antigo, o equipamento apresentou problema mais grave que a equipe interna do hospital não conseguiu resolver. Segundo ele, seis geradores do sistema queimaram e todos precisam ser trocados, um custo de R$ 180 mil somente para a troca. Além disso, eles precisam seguir a parte burocrática e remanejar recursos, visto que o orçamento do Estado fechou no último dia 10 de dezembro, processos que, infelizmente, são lentos.

Questionado quanto ao desconforto dos pacientes, o diretor disse que a direção sabe que não existe “conforto térmico”, mas que pacientes não podem ser remanejados para outro espaço dentro do hospital devido a quantidade de equipamentos específicos da UTI, e que eles também não desmarcaram nenhum procedimento do Centro Cirúrgico, já que acreditam que até o começo da próxima semana, a situação já estará resolvida.