Foz do Iguaçu – A insegurança da região próxima à fronteira, os frequentes roubos e furtos de veículos, além dos episódios de assaltos em que são feitos reféns têm feito com que parte da população mude hábitos e busque maior proteção pessoal e familiar. Uma das estratégias é tornar seus carros mais fortes e à prova de bala, prática que já era adotada nos grandes centros e que agora se torna cada vez maior nas cidades do interior.

Números da Secretaria de Segurança Pública do Paraná revelam que de janeiro a setembro de 2018 – relatório mais recente do órgão – as regiões abrangidas pelos núcleos de segurança de Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu, ou seja, todo o oeste do Paraná, registraram 959 roubos a veículos, ou seja, mais de dois por dia. Se considerados os furtos, foram mais 15 veículos levados por ladrões a cada dois dias nos primeiros nove meses do ano passado com quase 2 mil carros furtados de janeiro a setembro de 2018, ainda de acordo com boletim oficial da secretaria.

Esses números altos ajudam a justificar outros: dados do Detran-PR e do Exército revelam que o oeste já tem 59 veículos blindados oficializados. Pode até parecer pouco em uma frota de 920 mil automotores cadastrados nos 50 municípios, cuja maioria é de carro de passeio, mas a região já responde por 5% de todos os veículos com essas características em todo o Estado, onde existem 1.270 registrados, quase mil apenas em Curitiba e região metropolitana. Dessa forma, a região se consolida como a segunda maior frota de blindados do interior, atrás apenas do norte, puxada por Londrina, a segunda maior cidade do Paraná com carros cuja estrutura foi reforçada.

Não se tem comparativos oficiais com os anos anteriores, mas se estima que de 2015 a 2018 o número de carros preparados para proteger pessoas contra tiros tenha crescido 50% na região.

Esses números tratam apenas das certificações feitas nos órgãos competentes, o que, embora seja obrigatório por lei, não impede que possa haver um número muito maior circulando sem ter passado pelo processo ou com placas de outro país.

Vale destacar que rodar sem a certificação é ilegal. Trata-se de uma infração gravíssima por conduzir o veículo com característica alterada. São sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação e R$ 293,47.

Por mais segurança

A cidade de Palotina abriga dois carros blindados. Um dos proprietários reconhece que tomou essa decisão após a família ter sido alvo de bandidos e ter vivido momentos de terror e de tensão extrema, até hoje não totalmente superados. “Entraram em casa, mantiveram-nos reféns por horas, sempre com armas apontadas para a nossa cabeça. Criaram um pânico para roubar uma caminhonete. Depois disso, nunca mais tivemos sossego nem em casa nem na rua, por isso optamos por um veículo blindado (…) não fizemos o serviço, apenas adquirimos um veículo já com blindagem no estado de São Paulo”, detalha.

Como ocorre a blindagem

Em um site na internet, uma empresa que afirma ter representação em Cascavel diz fazer o serviço em veículos automotivos, náuticos e em projetos arquitetônicos, ou seja, para residências e empreendimentos comerciais também. Não consta o telefone da empresa na cidade, mas o interessado pode solicitar o orçamento a partir do site, que um representante promete entrar em contato.

A blindagem de automóveis foi desenvolvida como recurso de proteção para projéteis disparados contra a área externa do veículo. A superfície interna é classificada em duas regiões: opaca e transparente. Na região opaca a proteção é construída em sua parte interna com mantas de aramida, e, em determinados lugares aço balístico, um material que absorve a energia do impacto. Na região transparente, o vidro deve permitir a segurança contra o projétil, enquanto preserva o necessário grau de transparência, para não afetar as condições de dirigibilidade e conforto ao dirigir. “Ninguém consegue saber, só de olhar, que se trata de um carro blindado, mas ele tem algumas características. Primeiro que é preciso passar pelos órgãos que regulamentam a utilização, segundo que o carro fica um pouco mais pesado, mas a sensação de segurança é maior”, explica o proprietário de um desses veículos.

O Detran lembra ainda que, para blindar um veículo, o proprietário precisa de uma autorização do órgão, já que estará alterando a característica do veículo, obedecendo a Resolução 292, do Contran, somada à autorização do Exército.

Quanto custa blindar?

Ter um carro à prova de balas, de marretadas e ainda outros golpes que poderiam romper um parabrisa comum, por exemplo, não é para todos.

Em média, no Brasil, a blindagem de um carro sedã custa de R$ 45 mil a 50 mil; já a de um utilitário esportivo pode variar R$ 48 mil a 53 mil. Esses valores são apenas para blindar o veículo, não inclui seu preço de fábrica, é claro.

Além disso, a depreciação do blindado é maior do que a de um carro comum: em alguns anos ele pode custar metade do preço.

Frotas blindadas

Três municípios da região respondem por cerca de 80% dos carros blindados no oeste. Mas não necessariamente eles estão nas cidades maiores. Cascavel, que possui quase 230 mil veículos automotores, é apenas a terceira nessa lista, com dez blindados.

Foz do Iguaçu, cuja frota é de pouco menos de 180 mil veículos, lidera esse ranking com 21 carros blindados, seguida por Toledo, onde há 11 certificações de blindagem pelo Dentran e pelo Exército, dentro de uma frota de 102 mil veículos.

Em quarto lugar ainda aparece Catanduvas. A cidade de 10 mil habitantes e menos de 5 mil veículos registrados, que abriga o presídio federal de segurança máxima onde estão alguns dos principais líderes de facções criminosas brasileiras, tem três veículos blindados.

Veja abaixo a distribuição de blindados no Paraná: