Região Sul apresenta a maior incidência de câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o mais incidente no mundo desde 1985 e o segundo mais comum no Brasil

O câncer de pulmão é o mais incidente no mundo desde 1985 e o segundo mais comum no Brasil, atingindo 31 mil novos pacientes por ano, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Na Região Sul do País, os números também são expressivos: mais de 4 mil pessoas serão diagnosticadas nesse biênio, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer).

Estima-se que 40% dos pacientes de Porto Alegre e 25% da população sulista – mais de 6 milhões de pessoas – têm ou teve algum parente que desenvolveu a doença, de acordo com pesquisa do Instituto Datafolha, realizada com apoio do Instituto Lado a Lado e sob encomenda da biofarmacêutica AstraZeneca do Brasil.

Quando questionados a respeito do principal causador do câncer de pulmão, 30% dos pacientes discordam parcial ou totalmente de que fumar cigarros seja o maior fator de risco. Por outro lado, 92% da população da Região Sul defende que manter hábitos tabagistas é o principal causador do câncer de pulmão e 95% entende que os fumantes passivos também correm o risco de desenvolver a doença.

Mesmo que a exposição à poluição do ar ou agentes químicos, inalação de poeira e fatores genéticos sejam fatores de risco, o tabagismo ativo ou passivo é o principal causador do câncer de pulmão. “Apesar de ser possível que uma pessoa desenvolva câncer de pulmão sem ser fumante, o tabaco é responsável por cerca de 80% a 90% dos casos da doença, além de ser também responsável por tumores de boca, laringe, faringe, estômago, pâncreas, rim, colo de útero e bexiga”, explica Carlos Barrios, médico do Grupo Oncoclínicas e diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas.

Tabagismo e a desinformação

Apesar de 92% da população sulista defender que o cigarro é o principal causador do câncer de pulmão, 5,5 milhões de pessoas da região fumam regularmente e 9 milhões convivem diariamente com fumantes, o que aumenta o número de pessoas suscetíveis a desenvolver a doença.

Dados da pesquisa indicam que, apesar de 90% dos pacientes alegarem ser bem informados, 77% acreditam ser fácil descobrir a doença. Já entre a sociedade geral do Estado, 35% e 47% se considera bem informada ou mais ou menos informada a respeito do câncer de pulmão, respectivamente, mas 65% acredita que o rastreio precoce é uma realidade. Contudo, apenas um terço dos casos é diagnosticado no primeiro estágio, quando há maior chance de cura.

“A desinformação é preocupante, já que obter o diagnóstico precoce do câncer de pulmão é difícil, uma vez que os sintomas mais comuns, como falta de ar, tosse persistente, cansaço e falta de apetite, são condições que podem ser confundidas com outras doenças e os sintomas geralmente aparecem em estágios mais avançados da doença”, explica Carlos Barrios, médico do Grupo Oncoclínicas e diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas. “Por isso, é importante que toda a sociedade tenha clareza sobre as informações da doença, facilitando assim o rastreio”.

Além disso, os sulistas são os que menos conhecem tratamentos inovadores como a imunoterapia e a terapia-alvo, apenas 8% e 5%, respectivamente. Porém, são os que mais conhecem tratamentos convencionais. A quimioterapia conta com 82% de identificação, assim como no Sudeste, e a radioterapia tem 66%.

A importância da conscientização

Para Marlene Oliveira, presidente e fundadora do Instituto Lado a Lado pela Vida, a falta de conhecimento da população sobre a doença é uma barreira na descoberta precoce e a consequente cura do câncer de pulmão. “A maioria da população não está familiarizada com o assunto e muitos associam somente o tabagismo como fator de risco. Com isso, a maioria dos casos é descoberta quando o câncer de pulmão já está em estágio avançado, pois os sintomas na fase inicial são muito sutis. Nosso papel é alertar os brasileiros sobre a gravidade desse tipo de câncer e alertar para a importância dos exames periódicos para detecção da doença, que age silenciosamente, pode ser fatal, mas tem possibilidade de cura quando identificada no início”, diz.

Segundo a pesquisa, 17% dos pacientes de Porto Alegre se informa na internet e, para propagar conhecimento de qualidade, o Instituto Lado a Lado e a AstraZeneca estão juntos para reforçar a relevância do diagnóstico rápido e alerta a população de que o câncer de pulmão cresce anualmente entre indivíduos não fumantes.

Destaques:

  • Os pacientes da capital do Rio Grande do Sul são os que menos obtiveram diagnóstico por meio de oncologistas, apenas 7%. Cerca de 27% foram diagnosticados por pneumologistas, 23% por clínicos gerais e 7% cirurgiões torácicos.
  • Em Porto Alegre, a maior parte dos pacientes descobre a doença entre 61 a 70 anos, uma idade mais avançada do que as pessoas das capitais paulista e carioca e do Distrito Federal. O diagnóstico na faixa etária entre 41 e 51 anos é a mais baixa do país, com 3%.
  • Na capital do Rio Grande do Sul, os médicos são a principal fonte de informação (70%), seguidos pela internet (17%) e hospital e Inca ambos com 3%.

 



Fale com a Redação

5 × três =