Cascavel – A balança comercial do oeste do Paraná registra um novo recorde histórico de transações internacionais e o acumulado de janeiro a novembro já é o melhor de toda a série de catalogação.

As vendas das sete principais economias exportadoras da região – que respondem por mais de 95% das comercializações externas – somam nos 11 meses US$ 1,55 bilhão, volume 17% maior que o observado no mesmo período de 2017, quando a balança comercial já registrava seu melhor desempenho. Os dados são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

Juntas, Cascavel, Palotina, Cafelândia, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Medianeira e Foz do Iguaçu exportam uma média diária de US$ 4,6 milhões.

Na outra ponta da balança, as importações continuam em queda. A retração neste ano chega a 7%, baixando de US$ 472,1 milhões para US$ 439 milhões.

Com o recorde das exportações e as importações em queda, só podia resultar em uma nova marca nunca antes alcançada: saldo da balança é de US$ 1,1 bilhão neste ano.

Para o especialista em mercado José Augusto de Souza, esses números já eram esperados e ele acredita que serão facilmente superados em 2019.

A tendência, segundo ele, é para que o próximo ano seja ainda mais surpreendente e promissor diante das aberturas, das aproximações e das ampliações de compra já anunciadas pelo mercado asiático, por exemplo. Isso sem contar a expectativa do fim do embargo da União Europeia e da retomada das compras da Rússia. “Somente um frigorífico de Toledo recebeu quatro missões diferentes do mercado asiático nos últimos meses, principalmente chineses. Eles precisam comprar e a região tem o que vender para eles”, considera.

Inclusive, destaque para Toledo, cujas exportações triplicaram de um ano para o outro.

Commodities e mercado do agro vantajosos

Para o analista José Augusto de Souza, o grande feeling será ampliar essas relações comerciais com aquilo que o mercado quer comprar e isso passa necessariamente pelos alimentos.

Na região oeste, a tendência é para que os principais beneficiados sejam os mercados de carnes, especialmente de aves e suínas. “A China vive um intenso problema com a peste suína. A produção deles por lá deverá se reduzir em torno de 30% e eles vão comprar carne do mercado brasileiro, a exemplo do frango, que deverá ter seu mercado ampliado. O importante desses compradores é que não fecham contratos para um ou dois anos, são de cinco ou dez anos, e temos empresas no Estado que os atendem muito bem, com produtos de qualidade e cumprindo os acordos de forma muito correta”.

Sobre os bons números deste ano, José Augusto considera não haver dúvidas de que são reflexos da guerra comercial travada entre China e Estados Unidos, que deu mais espaço para o mercado da América do Sul.

Ele acredita que a trégua anunciada pelos dois governos há poucos dias não deverá focar nas transações de commodities agrícolas nem na indústria voltada ao agronegócio. “O negócio deles são os eletrônicos. Há fábricas fechando nos Estados Unidos por falta de componentes eletrônicos, então os Estados Unidos precisam do mercado chinês. Esses segmentos, entre eles, é que deverão ser favorecidos”.

Entre uma aproximação e outra e os mercados já atendidos pelo Brasil, José Augusto avalia que em 2019 os produtos que deixam oeste para o restante do mundo ultrapassarão pela primeira vez a marca dos US$ 2 bilhões. “Penso que não apenas podemos chegar a esse valor, como podemos facilmente passar. Competência e produto nós temos e, o mais importante, os chineses querem comprar a carne, que é a soja transformada. Se vendermos menos soja e mais carne, vendemos produto com valor agregado”, observa, lembrando que isso representa mais dinheiro em caixa.