Toledo – A reacomodação cambial não tem desanimado o mercado regional para as exportações e o fluxo de vendas internacionais continua superaquecido, com expectativa de volumes recordes também para este mês de outubro. Segundo o economista de Toledo e especialista de mercado Neoroci Frizzo, a cotação da moeda americana ainda está bastante favorável para os exportadores, com a diferença que está reanimando importadores também.

Para se ter uma ideia, o dólar chegou a R$ 4,20 antes do primeiro turno das eleições, e ontem era negociado perto dos R$ 3,70, queda de 12%.

Isso significa que o momento está propício, por exemplo, para a compra dos insumos da safrinha de inverno para o cultivo do milho e do trigo, que só serão semeados a partir do fim do mês de janeiro (milho) e a partir do fim de março de 2019 (trigo).

Segundo o especialista, a regra vale principalmente para os produtores que venderam parte da produção com valor mais elevado, com o dólar acima dos R$ 4, indicando que estão mais capitalizados, o que facilita a aquisição neste momento.

O mercado esperava, por exemplo, que a cotação da moeda americana fosse chegar aos R$ 4,50, o que acabou por não acontecer, mas essa condição não está completamente descartada, ainda condicionada aos resultados das eleições dia 28 de outubro. “Com o candidato [Jair] Bolsonaro na frente, o dólar caiu e fica estável, o mercado o quer. Se houver uma reviravolta e o Haddad passar a liderar as pesquisas, certamente o dólar deverá dar uma disparada e poderá chegar aos R$ 4,5”, reforçou evidenciando que o mercado não demonstra um bom comportamento se o candidato petista passar a liderar as intenções de voto.

As transações internacionais que seguem favorecidas se referem à venda das proteínas – carne de aves e suína. Sozinhas, elas respondem por mais de 70% do volume regional das exportações. De quase US$ 1,3 bilhão vendidos para outros países de janeiro a setembro deste ano no oeste, mais de US$ 900 milhões vêm desses produtos. E é justamente esse segmento que promete ficar superaquecido, principalmente com a proximidade do fim de ano.

O fechamento de contratos tem se mantido elevado inclusive com o recuo do dólar. Segundo projeção do Banco Central, a cotação da moeda americana promete se manter na casa dos R$ 3,7 até o fim do ano, se nenhuma mudança for sentida no cenário político.

Consumo parado

Segundo o diretor-presidente da Frimesa, Elias Zydek, como o poder de compra não está aquecido no mercado interno, o que tem garantido resultados mais equilibrados na contabilidade da cooperativa são as exportações. “O mercado interno não reagiu como esperávamos e o que tem segurado o setor é o mercado externo. O faturamento deverá crescer neste ano, mas as margens estão cada vez mais espremidas”, destacou.

Para o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, a tendência para este fim de ano é de mercado externo aquecido, ainda como reflexo de disputas comerciais travadas entre americanos e chineses. “A tendência é para que tenhamos este período até o fim do ano com bons resultados para a comercialização das proteínas porque o mundo precisa comer e nós temos o alimento para fornecer (…) a carne é o produto com valor agregado garantindo bons desempenhos”, reforçou.

Grãos x frete

Mas se a regra se aplica às proteínas do reino animal, ela não vale para os grãos. As vendas da soja, por exemplo, estão travadas há mais de um mês, tanto nos contratos de venda futura, com cerca de 15% daquilo que deve ser produzido na safra 2018/2019 assegurados à comercialização, quanto para a soja ainda em estoque da última safra, o que representa algo em torno dos 20% da produção regional. Se daquilo que deverá ser colhido foi vendido cerca de 600 mil toneladas, daquilo que já foi colhido ainda resta nos silos e nos armazéns algo em torno de 800 mil toneladas, uma fortuna que ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão. E não é por falta de mercado, mas por indefinições: “O que tem segurado a venda da soja, principalmente nos contratos de venda futura, é a incerteza sobre o valor do frete. As trades não querem pagar pelo transporte e querem o grão colocado no porto. O produtor também não quer pagar essa conta e isso tem retraído o mercado”, afirma o economista do Deral (Departamento de Economia Rural) Marcelo Garrido.