Pesquisadores britânicos descobriram que pessoas infectadas com a variante Delta têm menos probabilidade de transmitir o vírus se já tiverem sido completamente imunizadas com a vacina contra covid-19. Mas esse efeito protetor é relativamente pequeno e diminui de forma alarmante três meses após o recebimento da segunda dose.

O estudo publicado na plataforma MedRix ainda não foi revisado por pares, mas um artigo sobre estas descobertas foi publicado na revista Nature nessa semana.

Em pessoas infectadas duas semanas após receberem a segunda dose da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca, ambas no Reino Unido, a chance de contrair Covid-19 após o contato próximo com um não vacinado era de 57%. Mas três meses depois, essa chance subiu para 67%.

“Este último valor está no mesmo nível da probabilidade de uma pessoa não vacinada espalhar o vírus”, aponta o estudo.

Também foi observada essa redução entre imunizados com as vacinas da norte-americana Pfizer e da alemã BioNTech. O risco de espalhar a infecção pela Delta logo após a vacinação com este imunizante era de 42%, mas aumentou para 58% com o tempo, apontam os pesquisadores.

Estudos anteriores descobriram que as pessoas infectadas pela Delta têm aproximadamente os mesmos níveis de material genético viral em seus narizes, independentemente de terem sido vacinadas anteriormente, sugerindo que pessoas vacinadas e não vacinadas poderiam ser igualmente transmissoras.

Alta em internações de crianças por covid-19

Em seis meses, o Brasil registrou um aumento de 50% em internações de crianças menores de 9 anos com quadro de covid-19.

Os dados do Ministério da Saúde mostram o total de 15.483 casos de janeiro a julho de 2021. De abril a dezembro de 2020, foram registrados 10.352 atendimentos no SUS (Sistema Único de Saúde).

Para especialistas, crianças continuam sendo menos afetadas com a doença, mas a situação acende um alerta para o reforço dos cuidados nessa faixa etária, diante das flexibilizações, cada vez mais aceleradas.

O pediatra infectologista Márcio Nehab, médico do IFF (Instituto Fernandes de Figueira), da Fiocruz, explica que um dos principais fatores, provavelmente, é que as crianças voltaram às atividades normais.

Controle da transmissibilidade

Já para o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), Renato Kfouri, o calendário da vacinação adulta é extremamente importante para o controle dessa transmissibilidade.

Kfouri completou que o comportamento da Covid-19 continua o mesmo nas crianças e adolescentes. Segundo o médico, este ano, registramos muito mais casos, hospitalizações e óbitos do que em 2020, em todas as faixas etárias. (CNN Brasil)