Projeto visa alfabetizar brasileiros e haitianos

Adultos aprendem a ler e a escrever, além de entenderem melhor o português

Dentre os inúmeros projetos de extensão da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), um que se destaca é o projeto permanente Residência em alfabetização de jovens adultos: desafios e perspectivas. A iniciativa é do curso de Pós-Graduação em Letras em conjunto ao IEM (Instituto Educacional Morumbi), nas turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Fotos: TV Imago

O programa teve início em abril de 2019 e desde então provoca significativas diferenças na vida dos alunos, que se sintetizam em jovens e adultos brasileiros e haitianos que precisam ser alfabetizados. A ação universitária é um espaço de aperfeiçoamento do estágio curricular supervisionado pela imersão do licenciando, do voluntário e do colaborador, que estejam disponíveis para prestar serviço ao ensino e à alfabetização aos alunos do IEM.

“O projeto surgiu da necessidade da própria comunidade e hoje transpomos os muros da universidade, levando para essa comunidade algo que eles necessitam, pois é uma demanda muito grande, tanto do EJA quanto dos próprios estrangeiros que vivem em Cascavel”, conta o orientador do projeto, professor Acir Dias da Silva.

A coordenadora do IEM, Rosalina de Godoy Dias da Silva, conta que, na função de auxiliar a comunidade, diferentes projetos foram sendo criados. “Esse projeto surgiu a partir de outro projeto nosso, que é a entrega de cesta básica para a comunidade. Para receber, as pessoas têm que realizar um cadastro socioeconômico, e percebemos que quando chegava o momento de assinarem para receber a cesta, existia uma espécie de vergonha, por não saberem ler nem escrever. Esse projeto nos dá muita satisfação, temos muitas senhorinhas aqui que não sabiam ler nem escrever e estão aprendendo. Também prestamos serviços para os haitianos, eles precisam aprender o português, então também temos o projeto de letramento, e ter a Unioeste como parceira dá uma ênfase muito importante para nosso projeto”, relata Rosalina.

Encontros

O grupo realiza as orientações pedagógicas às terças e quintas-feiras, das 14h às 17h. A assessora pedagógica, professora Ana Maria Vasconcelos relata as atividades em torno da aplicabilidade nas salas de aula. “Nós nos encontramos às segundas-feiras para orientação, o que fazer, como fazer, quais os materiais necessários, auxílio de francês às estagiárias, considerando que é o idioma nativo dos haitianos, buscando sempre auxiliar esse grupo tão singular”.

Resultados

Naphetalie Francique é haitiana, tem 29 anos e mora no Brasil há sete meses e conta que os proveitos do curso são muitos. “Isso está me ajudando a conversar com os amigos da igreja, a procurar emprego, está sendo muito bom aprender”.

E isso é visto até mesmo em alunas brasileiras, como a Marilia Quinelli Camilo, que diz que o bem-estar pessoal é ótimo. “Já abriu minha mente, hoje me sinto ótima. As professoras são excelentes, nos ajudam demais”.

E o auxílio não é somente aos alunos, as residentes pedagógicas, que são professoras do curso, também denotam seu contentamento nesse projeto. “É a minha primeira vez em sala de aula, e é com os haitianos, que têm outra cultura, língua, tudo diferente. Essa experiência na docência, o envolvimento, o vínculo, tudo é uma troca de aprendizados muito grande”, declara a acadêmica de Letras da Unioeste Maria Elisa Grams.

Extensão do projeto

O professor Acir Dias da Silva conta que, com esse projeto, surgiram até pedidos do Cras de Cascavel para estender o projeto por 12 unidades do Município. “Infelizmente, não temos pernas para estender o projeto com essa envergadura… é um projeto que nos enche de alegria, além de ser uma grande escola para os acadêmicos da Unioeste e aos voluntários que participam”.

O aprofundamento contempla ações de regência em sala de aula, intervenção pedagógica e desenvolvimento de metodologias e materiais didáticos pedagógicos apropriados.

O projeto é coordenado pelo professor Acir Dias da Silva, com colaboração logística e administrativa de Rosalina de Godoy Dias da Silva, colaboração e assessoria pedagógica de Ana Maria Martins Alves Vasconcelos e participação na residência pedagógica de Emiliana Gomes Giordani, Juliana Maria Teixeira, Maria Elisa Grams, Stefani Alves do Carmo, Kellen Anan da Teixeira e Erica da Rosa Monteiro.


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