Foz do Iguaçu – A integração do espaço urbano, com rios, modais sustentáveis, pistas de caminhada e espaços para atividades de turismo, cultura e lazer vem sendo peça fundamental no desenvolvimento das cidades. Nessa perspectiva, o Município de Foz do Iguaçu está desenvolvendo o Projeto “Reinventando Foz”.

O prefeito Chico Brasileiro (PSD) apresentou nessa quarta-feira (28) a proposta aos vereadores. “Nosso ciclo hoje é o do desenvolvimento sustentável. A mesma Agência Francesa de Desenvolvimento foi a que financiou projetos semelhantes em cidades como Toledo e Curitiba. Iniciamos as tratativas, veio uma equipe de franceses e nós fizemos uma visita até o Rio Monjolo”, disse.

Segundo o prefeito, o Município tinha um entrave com relação à classificação de risco para obtenção de crédito. “Ano passado tínhamos a classificação C e essa agência só financia projetos em municípios com classificação A ou B. Por esse motivo, digo que nosso maior trabalho foi recuperar a saúde financeira do Município e o título de bom pagador. Agora estamos na classificação A nesse quesito”.

O projeto precisa da aprovação pela Câmara para ter continuidade e posteriormente do Senado. Segundo o secretário de Planejamento, Elsídio Cavalcante, “a Beira Foz é algo paralelo que está sendo tocado pela Secretaria de Turismo, mas que se interligará com o Reinventa Foz. Essa ligação da Beira Rio com o arroio do Rio Monjolo é uma reivindicação histórica do Município”.

Projeto

Quem apresentou o projeto, as projeções, o investimento e o manejo foi Haralan Mucelini, servidor da Itaipu Binacional cedido e que atua na Secretaria de Planejamento. Há previsão de implementação de 28 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas em Foz. “É um investimento de cerca de R$ 150 milhões ao longo de cinco anos. A previsão é de geração de 7.525 empregos diretos e indiretos, aumento do tempo de permanência do turista em Foz de três para cinco dias e contribuição para o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] da cidade, passando o PIB do Turismo de 25% para 35%, por exemplo”, explanou.

Segundo ele, o investimento pela Agência Francesa é a opção mais barata de financiamento de projetos como esse na América Latina, com taxas de juro mais baixas. “O investimento é fixado em dólares, sendo US$ 33 milhões e uma contrapartida de US$ 8,5 milhões, total de U$$ 41,5 milhões”.

Realocação de famílias

Outro ponto previsto é a realocação de famílias que estão em áreas de alagamentos para moradia de qualidade. “O Fozhabita já mapeou 520 famílias que estão em áreas de possível realocação, a maioria na região do Boicy e outras do Arroio Ouro Verde”, afirmou Haralan Mucelini.

O prefeito Chico Brasileiro lembrou que ano passado foi feita uma expedição no Rio M’Boicy, por Uniamérica, Unila e ONGs. “Nos apresentaram um diagnóstico do rio. Percebemos que precisávamos ter um conjunto de intervenções para que o cidadão e o turista possam reinventar os espaços urbanos. O conceito da água dos rios de nossa cidade também não é bom e vimos que isso necessário de ser mudado, até porque organismos internacionais avaliam a cidade pela qualidade das águas”.

O programa

Programa “Reinventando Foz” é um projeto de biodiversidade com a reestruturação urbana sustentável de Foz do Iguaçu. O projeto tem alguns componentes como restauração de espaços hídricos como os rios M’Boicy, Arroio Monjolo e Arroio Ouro Verde, incluindo a implantação de corredores verdes ecológicos, técnicas de remediação de enchentes, mobilidade sustentável, fortalecimento de atividades sociais e de segurança pública.

O outro componente do programa é mobilidade sustentável com desenvolvimento urbano e turístico, o que envolve implantação de corredores verdes, plano de desenvolvimento turístico e ferramentas de pesquisa, educação, cultura e infraestrutura urbana e turística. O terceiro componente do projeto é a implementação de parque urbano para requalificação do centro de Foz do Iguaçu, englobando a terceira pista da Avenida JK e a foz do Arroio Monjolo.