Reportagem: Patrícia Cabral

Crianças em casa, aulas on-line, home office, delivery… O isolamento social, estimulado para conter o avanço do novo coronavírus, aumentou a produção de lixo doméstico.

Segundo a Sedest (Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo do Estado), se empresas, restaurantes, comércios e indústrias produziram menos resíduos nos últimos meses devido ao fechamento ou à redução dos horários de atendimento, o volume de lixo nas casas do Paraná dobrou. “Antes da quarentena, cada pessoa produzia em torno de 500 a 700 gramas de lixo; hoje passou a mais de um quilo por dia, ou seja, praticamente dobrou a produção de resíduos”, explica o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Márcio Nunes.

Em Cascavel, conforme levantamento feito pelo secretario de Meio Ambiente, Wagner Yonegura, a quantidade resíduos recolhidos na cidade de março a julho deste ano foi de 37.288 toneladas. No mesmo período do ano passado, o número era de 36.438 toneladas, aumento de 2,3%.

O maior volume foi observado em abril, quando a quarentena se estendeu por quase todo o mês. Naquele mês, foram recolhidas 7.869 toneladas, 15% a mais que no mesmo período de 2019. Em maio, o aumento foi de 7%.

Em junho e julho, quando a maior parte das atividades foi retomada, os números voltaram a se igualar aos do ano anterior.

Em todo o Paraná, cerca de 600 mil toneladas de lixo são levadas por mês a aterros sanitários e lixões. No início deste ano, o número não chegava a 400 mil toneladas.

Reciclar é preciso, mais do que nunca

Também cresceu o volume de lixo reciclável, cuja recolha é feito pelo Programa Coleta Legal em Cascavel. Antes da pandemia, recolhia entre 180 e 200 “bags” de material por semana. Durante a pandemia, o número variou entre 250 e 300 sacos, mas poderia ser bem maior, conforme a gestora Maria de Lourdes Martins, da Sema (Secretaria do Meio Ambiente de Cascavel): “O volume de reciclados poderia ser maior, mas a quantidade varia muito porque a coleta não é realizada em todos os bairros da cidade e grande parte do material acaba não sendo aproveitada porque fica com sujeira e restos de comida. Outro ponto é a atuação de atravessadores [catadores autônomos]. Muitas vezes, quando o caminhão passa, o lixo já foi levado”.

O volume processado se mantém na média de 190 toneladas por mês, mas nos meses de abril e maio foram menores: 130 e 140 toneladas, respectivamente.

Além da quantidade, o tipo de material descartado está diferente. Jonatas Barreto, responsável técnico da Cootacar (Cooperativa dos Trabalhadores Catadores de Material Reciclável), explica que papel branco, papelão, papel misto, caixas de sapato que eram descartados pelo comércio e pelas empresas, praticamente sumiram das lixeiras de março a junho. “No mês de março, tivemos aumento de embalagens, caixas menores, isopor, plástico… Em abril, o volume diminuiu um pouco, até pela contenção financeira de algumas famílias, que não sabiam muito bem o que ia acontecer com relação à pandemia. Nos meses de maio e junho, a quantidade voltou a aumentar. O clima também influencia. Percebemos que, quando está mais calor, tem mais lixo e, no inverno, menos”.

Menos entulho

Já a procura por serviços de coleta de entulhos diminuiu em Cascavel. “Observamos redução no volume dos resíduos da construção civil, especialmente de março a junho. Acredito que o motivo tenha sido a paralisação de algumas obras particulares por causa da pandemia”, relata o empresário Sandro Kommer, que aluga caçambas para recolher entulhos.

Em contrapartida, segundo ele, aumentou a procura por outro tipo de serviço.  “Recebemos várias ligações solicitando informações sobre limpeza de terrenos, lotes baldios, descarte de móveis velhos e outros volumosos. Nesses casos, orientamos as pessoas a procurar a prefeitura ou serviços como Ecolixo”.