Itajaí – Os acionistas da BRF confirmaram Pedro Parente como o novo presidente do conselho de administração da companhia em assembleia realizada na quinta-feira (26). Augusto Cruz (ex-Pão de Açúcar) será o vice-presidente.

O presidente Petrobrás foi eleito pelos acionistas por aclamação, proposta por Luiz Fernando Furlan, às 21h20 de quinta. “Proponho a escolha de Parente por aclamação no sentido de pacificar a empresa”, afirmou o ex-ministro na assembleia.

Com a decisão, Pedro Parente estará à frente de duas empresas cujo valor de mercado, somado, chega a R$ 300 bilhões – praticamente três vezes o PIB do Paraguai. Após as consecutivas crises vinculadas à Operação Carne Fraca, no entanto, hoje o valor da BRF não chega a 10% da gigante do petróleo brasileiro.

A votação, que ocorreu na sede da BRF em Itajaí (SC), atrasou mais de oito horas depois de uma solicitação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A BRF é resultado da fusão de Sadia e Perdigão.

Por conta da exigência da CVM, a BRF foi obrigada a reformular seu sistema de contagem de votos. Além disso, o advogado de um grupo de acionistas teve dificuldade de distribuir os votos que representava para os diferentes conselheiros após a adoção do voto múltiplo.

Foram eleitos, além de Parente e Cruz, os outros oito nomes indicados: Dan Ioschpe, Flávia Buarque de Almeida, Francisco Petros, José Luiz Osório, Luiz Fernando Furlan, Roberto Antonio Mendes, Roberto Rodrigues e Walter Malieni. O novo conselho se reúne nesta sexta-feira, 27, de manhã em São Paulo.

A confirmação de Parente marca o fim do período de Abílio à frente da BRF. Ele assumiu o conselho da empresa em abril de 2013 e prometeu levar as ações a R$ 100. Na quinta-feira (26), os papeis fecharam cotados a R$ 26.

 

BRF: entidade recorre ao governo para manter empregos

Em atendimento à solicitação emergencial da CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins), o Ministério do Trabalho recebeu líderes sindicais para discutir a preocupação da categoria profissional quanto às concessões de férias coletivas na BRF.

Uma reunião entre a CNTA e a CNI (Confederação Nacional da Indústria) deverá ser convocada pela Secretaria de Relações do Trabalho nos próximos dias com o objetivo de tratar das consequências dos embargos das exportações de frango para a UE (União Europeia), envolvendo 12 frigoríficos da BRF e outras oito empresas.

Tendo em vista o alto investimento público dispensado às empresas via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e incentivos fiscais federais e municipais, a CNTA cobrou do órgão um posicionamento mais firme do governo sobre o compromisso social da empresa com os trabalhadores.

O presidente da CNTA, Artur Bueno de Camargo, alerta sobre a insegurança e o clima de tensão gerado entre os trabalhadores e propôs a criação de uma comissão tripartite permanente para buscar soluções conjuntas e prevenir novos prejuízos. Segundo a confederação, cerca de 7 mil trabalhadores estão em férias coletivas atualmente na BRF.

"Será que estes trabalhadores continuarão empregados quando voltarem destas férias?", questiona. "Entendemos que deve haver uma cobrança maior do governo quanto à contrapartida social das empresas, até porque todo este problema não foi causado pelos trabalhadores e, sim, pela má gestão destas".

O ministro do Trabalho Helton Yomura afirmou que a situação da BRF deverá ser observada do ponto de vista macroeconômico e designou a Secretaria de Relações do Trabalho para reunir representantes patronais e profissionais.