Curitiba – Pela primeira vez após quatro meses e meio, o Paraná voltou a registrar taxa de ocupação de UTI Covid abaixo de 90%. Nessa segunda-feira, dos 2.007 leitos SUS, 224 estavam livres, taxa de 89%. A última vez que o índice esteve nesse patamar foi em 20 de fevereiro, quando  a estrutura tinha 1.226 UTIs SUS e 1.083 estavam ocupadas, taxa de 88%. A partir de então o Paraná viu explodir o número de internados, chegando a passar de 6 mil em leitos clínicos e de UTI, tanto que aumentou em 63,7% o total de unidades intensivas SUS nesse período.

Conforme boletim do Estado divulgado ontem, o Paraná tinha 4.290 pessoas internadas em leitos exclusivos para tratar covid-19, das quais 2.109 estavam em UTI.

Apenas duas macrorregionais registraram taxas acima de 90%. A maior é da Macro-Oeste, com 94% de ocupação (22 leitos livres), e da Macronoroeste, com taxa de 90% e 27 UTIs disponíveis. A Macroleste e a Macronorte registram taxas de 88% e 85%, respectivamente.

Ontem, a Secretaria de Estado da Saúde divulgou mais 2.372 casos confirmados e 110 mortes pela covid-19, elevando para 1.298.175 infectados desde o início da pandemia, dos quais 31.355 não sobreviveram.

Apesar dos números elevados, o Paraná registra as médias móveis mais baixas desde novembro, com 1.978 casos/dia e 24 mortes/dia, queda de 54,3% e 77%, respectivamente, em comparação à média móvel de 14 dias atrás (veja gráficos).

Quanto às mortes informadas ontem, tratam-se de 46 mulheres e 64 homens, com idades que variam de 25 a 94 anos. Os óbitos ocorreram de 9 de março a 5 de julho de 2021.

 

Eficácia da vacina

Vinicius Filipak, diretor de Gestão em Saúde da Secretaria, aponta que a queda já é uma prova da eficácia da vacinação contra a covid-19. “Não há dúvida de que essa redução tem dois fatores importantes. As medidas de controle são as mais eficientes para que não haja contaminação, e uma parte da população continua sendo muito positiva em manter o isolamento social. Mas, com certeza, a vacinação já cumpre seu papel”, explica.

Ele aponta que um indício dessa eficácia é que, nos últimos meses, também mudou o perfil dos pacientes internados. Segundo Filipak, as faixas etárias que foram mais imunizadas, como idosos e pessoas com comorbidades, já representam um percentual de internação muito menor que em períodos anteriores.

“Em toda a pandemia, mais de 60% dos pacientes na UTI tinham mais de 60 anos. Nos últimos meses, esse percentual reduziu: no fim de junho, apenas 27% dos internados em UTI eram idosos. Quem já foi vacinado também pode chegar a ser internado, mas são casos menos graves e com menor tempo de permanência no hospital”, declara.

 

Fila de UTI

Vinculada à queda na ocupação de leitos de UTI e na taxa de transmissão está a redução da fila de espera por novos leitos para tratamento da covid-19. Nessa segunda, o número estava em 111 pacientes, sendo 36 de UTI. Em junho, eram mais de mil.

Filipak explica que o índice nunca chega a zero por conta de uma diferença de horário entre o momento de coleta de informações: enquanto a fila é contabilizada ao final de cada dia, o número de leitos de UTIs livres só é atualizado pela manhã. Um paciente só efetivamente “sai” da fila quando dá entrada no hospital, criando um espaço de tempo maior entre a atualização dos dados.

“A tendência é que os pacientes em espera sejam internados no mesmo dia. A média do tempo de espera no Paraná em julho é de 11,7 horas para UTI e enfermaria. Em 90% dos casos, os pacientes já estão internados em menos de um dia”.

 

 

 

Taxa de transmissão

Outro índice que também apresentou queda ao longo da última semana foi a taxa de transmissão (Rt), número que indica a velocidade de contágio pelo vírus em uma determinada localidade. No Paraná, a Rt estava em 0,86 nessa segunda-feira, o que significa que 100 pessoas com Sars-Cov-2 contaminam, em média, 86 novas pessoas.

Os dados são do sistema Loft.Science, que calcula o Rt médio de todos os Estados e do Brasil com base em um algoritmo desenvolvido pela empresa. O Rt indica quando o contágio pelo vírus está acelerado (maior que 1), estável (igual a 1) ou em remissão (menor que 1) – único cenário que aponta uma melhora na situação epidêmica. Quanto mais próximo de zero, menores as chances de contágio.

O Paraná está em remissão desde 1º de julho, quando a Rt passou de 1,09 para 0,99. Desde então, o número está em queda, apontando para uma tendência de redução da transmissão no Estado.