SAÚDE

Obesidade infantil: como evitar esse problema?

02 de junho de 2019 às 15:11
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A obesidade infantil é considerada uma epidemia global pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e não é por menos: um estudo recente concluiu que o número de crianças obesas aumentou dez vezes nos últimos 40 anos no mundo todo, e que, se essa tendência continuar, haverá mais crianças com excesso de peso do que abaixo do peso ideal até 2022.

A última pesquisa da organização, realizada em 2016, apontou que 41 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, estavam acima do peso ou obesas. Os dados são tão alarmantes que cartilhas de orientação aos pais vêm sido desenvolvidas a fim de tentar reverter esse problema.

As recomendações de saúde mais recentes da OMS, por exemplo, indicam horas de sono e atividades físicas como parte da rotina das crianças.

O que é obesidade infantil?

A obesidade infantil acontece quando uma criança está com peso maior que o recomendado para sua idade e altura. De acordo com o IBGE, o índice de obesidade infantil no Brasil faz com que uma a cada três crianças esteja pesando mais que o recomendado. As faixas de IMC (Índice de Massa Corporal) determinadas para crianças são diferentes dos adultos e variam de acordo com gênero e idade. Temos um guia que ajuda a calculá-lo.

Os quilos extras podem ter consequências para as crianças até a sua vida adulta, mesmo que a obesidade seja revertida nesse período. Doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto são algumas consequências da obesidade infantil não tratada. A condição também pode levar a baixa autoestima e depressão nas crianças.

Causas

Diversos fatores podem causar obesidade infantil. Entre as mais comuns estão fatores genéticos, má alimentação, sedentarismo ou uma combinação desses fatores. Além disso, a obesidade em crianças também pode ser decorrente de alguma condição médica, como doenças hormonais ou uso de medicamentos a base de corticoides.

Apesar de ser uma condição com influência genética, nem todos os pais com obesidade também terão filhos com o problema, assim como aqueles pais e mães com peso recomendado podem gerar filhos com obesidade. Isso porque a obesidade infantil também tem ligação com os hábitos alimentares da criança e da família, bem como a realização de atividades físicas.

Dessa forma, a alimentação da criança e a quantidade de exercícios físicos que ela pratica são fatores determinantes para o aparecimento da obesidade infantil, ainda que exista histórico familiar do problema. Ficar atento a esses hábitos pode ajudar a prevenir a condição pela vida toda.

Fatores de risco

Alguns fatores podem aumentar o risco de obesidade em crianças e adolescentes. Veja:

*Dieta desequilibrada, rica em fast foods, alimentos industrializados e congelados, refrigerantes, doces e frituras

*Sedentarismo, uma vez que a atividade física ajuda a queimar as calorias ingeridas

*Histórico familiar de obesidade, uma vez que a doença tem influência genética e os maus hábitos alimentares podem ser ensinados de pai para filho

*Fatores psicológicos, como estresse ou tédio, podem fazer as crianças comerem mais do que o normal

*Diagnóstico e Exames

*Buscando ajuda médica

*Se você tem alguma preocupação com o peso do seu filho ou filha, marque uma consulta médica. O pediatra irá considerar a história individual da criança, assim como seu crescimento e desenvolvimento.

Quais são os riscos da obesidade infantil?

A obesidade infantil aumenta o risco de uma série de condições, incluindo:

Colesterol alto

Hipertensão

Doença cardíaca precoce

Diabetes tipo 2

Problemas ósseos

Síndrome metabólica

Distúrbios do sono

Esteatose hepática não alcoólica

Puberdade precoce

Depressão

Asma e outras doenças respiratórias

Condições de pele como brotoeja, infecções fúngicas e acne

Baixa autoestima

Problemas de comportamento

O que deve ser feito para evitar a obesidade infantil?

*Agende anualmente visitas de acompanhamento para sua filha ou filho

*Dê um bom exemplo. Certifique-se de comer alimentos saudáveis e fazer exercícios regularmente

*Evite disputas de poder relacionadas com os alimentos. Não use doces ou outros pratos como recompensa ou punição para as atitudes da criança

*Enfatize o positivo, destacando o lado positivo da boa alimentação e do exercício

*Seja paciente. Muitas crianças com excesso de peso podem chegar a um peso saudável com o crescimento. Perceba, também, exagerar nas recomendações de dieta e atividade física pode sair pela culatra, fazendo a criança comer mais e aumentando o risco de um distúrbio alimentar.

Especialistas que podem diagnosticar e tratar obesidade infantil são:

Pediatra

Endocrinologista

Nutrólogo

Nutricionista


Verifique se seu filho está acima do peso

O IMC (Índice de Massa Corporal) é uma medida usada para estabelecer se a pessoa está numa faixa de peso normal, ou se está com sobrepeso, obesidade e até baixo peso. Para adultos, normalmente as medidas são específicas: IMC entre 18,5 e 25 é normal, enquanto acima de 25 já representa sobrepeso e além de 30 já é obesidade. Porém, para crianças, essas faixas não se aplicam, e podem inclusive levar ao pai a acreditar que está tudo bem com a peso do filho, quando na verdade ela pode já estar com obesidade infantil.

As faixas de IMC para as crianças mudam de acordo com a idade e o sexo, e para orientar os médicos existem tabelas da OMS (Organização Mundial da Saúde) para fazer esse cálculo. Mas os pais também podem se orientar por essas tabelas.

Clique aqui e tenha acesso às tabelas.

Atenção:

O IMC não considera fatores como a quantidade de massa muscular (magra) e a estrutura física da criança, uma vez que o crescimento pode variar muito de uma para outra. Dessa forma, o médico ou médica pode avaliar outros tópicos para determinar se o peso da criança está afetando sua saúde. Confira:

*História familiar de obesidade e problemas de saúde relacionados com o peso, como diabetes

*Hábitos alimentares da criança

*Nível de atividade física que a criança faz

*Outras condições de saúde que a criança pode ter

Atenção:

O IMC não considera fatores como a quantidade de massa muscular (magra) e a estrutura física da criança, uma vez que o crescimento pode variar muito de uma para outra. Dessa forma, o médico ou médica pode avaliar outros tópicos para determinar se o peso da criança está afetando sua saúde. Confira:

*História familiar de obesidade e problemas de saúde relacionados com o peso, como diabetes

*Hábitos alimentares da criança

*Nível de atividade física que a criança faz

*Outras condições de saúde que a criança pode ter


Tratamento exige mudanças no estilo de vida

O tratamento da obesidade é complexo e envolve várias especialidades da saúde. Não existe tratamento farmacológico em longo prazo que não envolva mudança de estilo de vida.

Há várias opções de tratamento para a obesidade infantil e o sobrepeso. Quanto maior o grau de excesso de peso, maior a gravidade da doença. As crianças devem ser abordadas individualmente e conforme a idade, uma vez que cada uma pode apresentar diferentes fatores que aumentam seu risco para obesidade.

Para crianças e adolescentes que estão acima do peso recomendado ou com obesidade leve, sem risco de desenvolver outras doenças, pode ser recomendada apenas a manutenção. Isso porque o crescimento da criança pode fazer com que ela entre numa faixa de IMC saudável, sem necessariamente precisar emagrecer.

Já para crianças com obesidade instalada e risco de desenvolver outras doenças, a perda de peso é recomendada. O emagrecimento deve ser lento e constante, e os métodos são os mesmos adotados para adultos – ou seja, comer uma dieta saudável e praticar exercícios. O sucesso depende em grande parte de seu compromisso de ajudar seu filho ou filha a fazer essas mudanças.

Alimentação saudável

Os pais são os que compram a comida, cozinhar os alimentos e decidir onde o alimento é ingerido. Mesmo pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na saúde do seu filho:

Invista nas frutas, legumes e vegetais

Prefiro alimentos integrais aos refinados

Evite alimentos como biscoitos, bolachas e refeições prontas. Elas são ricas em açúcar, sódio e gorduras – tudo o que sua filha ou filho não pode comer em exagero

Limite o consumo de bebidas adoçadas, incluindo os sucos industrializados. Essas bebidas são muito calóricas e oferecem poucos ou nenhum nutriente

Reduza o número de vezes em que a família vai comer fora, especialmente em restaurantes de fast-food. Muitas das opções do menu são ricas em gordura e calorias

Sirva porções adequadas, uma vez que as crianças comer bem menos do que os adultos. Se sua filha ou filho não conseguiu comer todo o prato, não o force a terminar


Prática de atividade física

Além de queimar calorias, os exercícios físicos também ajudam a fortalecer os ossos e músculos das crianças, melhoram seu humor e ajudam no sono. Outro fator importante é que o incentivo à atividade física na infância pode fazer com que a criança mantenha esses hábitos no futuro, evitando a obesidade ao longo da vida.

Crianças devem fazer pelo menos um tipo de atividade física todos os dias, seja ela programada (academia, esportes ou aulas de dança, por exemplo) ou não programada (brincadeiras, como pega-pega, esconde-esconde e usar os brinquedos de um parque).


Medicamentos

Para casos graves de obesidade infantil, já associados com outras condições, podem ser prescritos medicamentos. No entanto, o tratamento farmacológico não é frequentemente recomendado para adolescentes e crianças – a não ser que ele tenha alguma doença que necessite de tratamento com remédios como distúrbios da tireoide ou colesterol alto.

Mesmo assim, os medicamentos não substituem a adoção de hábitos saudáveis, como dieta e prática de exercícios.

Cirurgia

A cirurgia bariátrica pode ser uma opção segura e eficaz para alguns adolescentes severamente obesos que não conseguiram perder peso através de convencionais. No entanto, como com qualquer tipo de cirurgia, há risco de complicações. Além disso, os efeitos a longo prazo da cirurgia de perda de peso no crescimento e desenvolvimento futuro de um adolescente são em grande parte desconhecidos.

É importante que o adolescente seja acompanhado por uma equipe de especialistas, como endocrinologista, nutricionista, pediatra e psicólogo.

Mesmo assim, a cirurgia não é a resposta fácil para perda de peso. Ela não garante que a criança vai perder o excesso de peso, nem mesmo que o peso será mantido depois. Também não substitui a necessidade de seguir uma dieta saudável e um programa de atividade física regular.


Fique de olho no prato do seu filho

 

Além do incentivo a uma vida mais ativa, ficar de olho no que é colocado no prato das crianças também é essencial, já que “o excesso de peso sempre vem como consequência do consumo excessivo de calorias”, como explica a nutricionista do Oba Hortifruti, Renata Guirau.

Faltando pouco tempo para o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil – 3 de junho, a nutricionista dá dicas de alimentos que são podem faltar na dieta de uma criança, cita medidas simples para sempre implementadas na rotina alimentar da família, e ensina receitas saborosas e saudáveis para diferentes momentos do dia dos pequenos.

ALIMENTOS QUE NÃO PODEM FALTAR

Fontes de ferro: para prevenir anemias e favorecer a boa oxigenação dos tecidos corporais (carnes, feijões, verduras escuras).

Fontes de cálcio: para favorecer a boa formação óssea e dos dentes (leite e derivados, vegetais escuros e sementes, como a de gergelim).

Fontes de vitaminas do complexo B: importantes para o metabolismo energético e para o sistema nervoso central (carnes, arroz, feijões, vegetais escuros).

Fontes de vitamina A: atua na imunidade, na saúde da visão e da pele (vegetais amarelo alaranjados, leite integral, queijos amarelos, verduras verde-escuras).

“De forma geral, a alimentação deve se basear em “comida de verdade”, o mais fresca possível e preparada com ingredientes de qualidade nutricional elevada, com consumo frequente de frutas, legumes e verduras, além de carnes, feijões, cereais e laticínios”, indica Renata Guirau.

Já alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinho, balas, chicletes, iogurte açucarados, refrigerantes, sucos artificiais, alimentos fritos e fast foods devem estar fora do cardápio de uma criança, segundo a nutricionista.

Como promover uma alimentação saudável dentro de casa?

Para melhorar a alimentação dos filhos, é fundamental que os pais e cuidadores sejam exemplos. Aliado a isso, existem ações simples que podem ser acrescentadas na rotina familiar para incentivar os hábitos alimentares saudáveis ainda na infância:

  • Manter frutas, legumes e verduras sempre presentes e, se possível, já lavados para que a criança possa pegar na fruteira ou geladeira
  • Permitir que a criança participe da compras no supermercado e no preparo das refeições
  • Estimular refeições em família, sentados à mesa
  • Dar autonomia desde cedo para a criança se alimentar sozinha, com alimentos na textura que seja possível que a criança pegue sozinha
  • Estabelecer regras para o consumo de guloseimas, sempre definindo de forma a promover a moderação
  • Evitar o consumo regular de refrigerantes e sucos artificiais
  • Não comprar guloseimas para deixar estocadas em casa
  • Não distrair as crianças com televisão, celular ou tablets na hora das refeições
  • Não oferecer açúcar antes dos dois anos de idade (para favorecer uma boa formação de paladar para alimentos saudáveis)
  • Não oferecer guloseimas como recompensa por bom comportamento, ou por “comer tudo o que tem no prato”

 

 

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