No esquema de Cabral, coleção também de imóveis

INFOCHPDPICT000063390086RIO ? Investigadores da Operação Calicute, desdobramento da Lava-Jato, descobriram que o esquema de corrupção em obras públicas no estado, do qual o ex-governador do Rio Sérgio Cabral é acusado de ser o líder, também usava imóveis e terrenos para lavar o dinheiro de propina. A revelação foi feita pelo programa ?Fantástico?, da TV Globo.

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Um prédio comercial de dez andares em Volta Redonda, no Sul Fluminense, pertence à Sulcon Construções, empresa da qual o ex-secretário de Obras Hudson Braga é sócio. Acusado de cobrar propina de 1% na reforma do Maracanã, nas obras do Arco Rodoviário Metropolitano e nas intervenções do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas favelas, ele está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste. O GLOBO já havia revelado que Braga era dono do prédio.

A empresa responsável pelo empreendimento pertencia, até o ano passado, a Luiz Paulo Reis, também preso na Calicute. A reportagem do ?Fantástico? teve acesso ao registro da obra no cartório, e o documento informa que o custo global da obra está avaliado em R$16,4 milhões. Os advogados de Luiz Paulo Reis informaram que a venda de salas e lojas do imóvel já havia arrecadado R$ 6,5 milhões o que, segundo eles, seria suficiente para construir o empreendimento. De acordo com o entendimento do Ministério Público Federal (MPF), a sociedade de Hudson Braga e Luiz Paulo Reis possibilitou a ?dissimulação da origem de valores provenientes das infrações penais praticadas por Hudson Braga?.

Também está sendo investigada pela força-tarefa a Awa Consultoria, empresa de Wagner Jordão, que assessorou Braga no governo e também foi preso na Calicute. Os investigadores afirmam que a empresa adquiriu 20 imóveis entre 2011 e 2015, quase todos pagos à vista, em um valor aproximado de R$ 5 milhões.

Juiz que cuida dos processos da Operação Lava-Jato no Rio, Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, diz estar tranquilo em relação aos investigados, que incluem Sérgio Cabral:

? Na Justiça, não faz a menor diferença quem é a pessoa que está sendo investigada. Para isso é importante que o juiz tenha as garantias da sua independência pra atuar com liberdade.

O magistrado defendeu o uso de informações de delações premiadas, mas ressaltou que o mecanismo não pode ser usado isoladamente para a condenação de acusados.

? Temos que avaliar caso a caso. E a lei, nesse ponto a lei foi muito feliz, ela diz que o juiz não pode condenar apenas com a delação, com a afirmação do sujeito que praticou um crime com a autoridade A, B ou C. E a delação tem trazido provas importantes, robustas. Tanto que já tomei algumas decisões mais fortes, sem dúvida, são provas robustas ? analisou Bretas.

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