Política

Ministro da Educação diz que ensino médio é trágico

Cascavel – O ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, classificou o ensino médico brasileiro como “uma tragédia”. Foi durante solenidade na manhã de ontem que confirmou repasses de recursos de R$ 5 milhões para a construção de dois Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil) em Cascavel.

Rossieli defendeu a união de todos, inclusive da família, para mudar o cenário educacional atual e, com isso, trazer transformação nas mais diferentes áreas da sociedade. Ele destacou que hoje um terço das crianças com nove anos de idade não sabe escrever a palavra “porco” e acrescentou: “Nós não podemos permitir isso se queremos um país sério”.

O ministro destacou que a criança precisa ser alfabetizada nos primeiros anos de vida ou carregará muitas dificuldades de aprendizado. “E terá grande chance de abandonar a escola. E aí a gente chega na tragédia do que é o ensino médio no Brasil. É importante que a comunidade e os pais discutam o que está acontecendo no ensino médico brasileiro”, afirmou.

Dados do Ministério da Educação mostram que, dos 3,5 milhões alunos que ingressam no ensino médio anualmente, apenas 1,7 milhão concluem os estudos, mas apenas 4% encerram essa etapa com conhecimento suficiente em matemática e 1,6% em língua portuguesa. “Nosso ensino médio está falido, nós estamos perdendo milhões de jovens todos os anos”, lamentou.

Rossieli destacou o investimento que o Município de Cascavel está fazendo na educação infantil: “Investir em educação infantil é investir em todas as demais etapas da educação básica”, ressaltou.

Dois Cmeis

De acordo com a secretária de Educação, Marcia Baldini, os dois novos Cmeis serão amplos e terão capacidade para atender 188 crianças. Eles serão construídos nos Jardins Maria Luiza e Siena. Os recursos são federais com contrapartida do Município.

Segundo Marcia, desde 1995 um ministro da Educação não visitava Cascavel e o Município aproveitou a oportunidade ontem para reivindicar mais investimentos.

A construção das unidades, explica Marcia, é apenas uma etapa. Posteriormente será necessário mobiliar os espaços físicos e ajustar o quadro de pessoal. “Isso onera no orçamento do Município. Ao construir um Cmei ou uma escola o Município sabe que tem mais uma instituição a manter. Tem que trabalhar com planejamento. Nós já temos um planejamento, estamos quase finalizando o processo para encaminhar para licitação”, explica.

O prefeito Leonaldo Paranhos agradeceu ao ministro por estar em Cascavel e destacou a importância da sua presença: “Mesmo com as nossas deficiências, os professores, nossos servidores da educação honraram até aqui com seus compromissos, mas eu acho que o poder público tem uma grande dívida com esse setor”.

Educação, segundo Paranhos, é uma decisão administrativa de fazer não apenas pensando em um período de quatro anos: “O que nós queremos para Cascavel é uma nova metodologia”.