Mercado imobiliário promete movimentar a construção civil

Após 20 trimestres com quedas sucessivas, desde o ano passado a construção civil vem apresentando sinais de aceleração, graças ao setor imobiliário

Reportagem: Josimar Bagatoli

Toledo – A intenção de compra no mercado imobiliário no oeste paranaense tem garantido otimismo no setor da construção civil e promete movimentar a economia das maiores cidades da região neste ano. Uma pesquisa recente encomendada pelo Sebrae e pelo Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) aponta que 45% das famílias têm interesse em comprar um imóvel, bem acima da média nacional, que é de 30% – na apuração, destacam-se as cidades de Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu. “Nunca foi tão bom investir em construção, por isso o crescimento de fundos imobiliários no Brasil: devido à queda da taxa de juros para financiamentos de 11% para 8%, nos últimos dois anos. A remuneração de capital na renda fixa caiu, então a saída é o imóvel, cujo rendimento passa a ser mais alto que o rendimento da renda fixa”, explica Marcos Kahtalian, sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, empresa de pesquisa e consultoria no setor imobiliário.

Após 20 trimestres com quedas sucessivas, desde o ano passado a construção civil vem apresentando sinais de aceleração, graças ao setor imobiliário. A previsão para 2020 é de crescimento de 3,2%.

No cenário regional, a cidade que se destaca é Toledo, que, conforme o IBGE (Índice Brasileiro de Geografia e Estatística), tem 140 mil habitantes e está em crescimento a demanda imobiliária. “A cidade está com o mercado mais aquecido. Por se tratar de uma cidade menor que Cascavel, Toledo está com uma taxa de crescimento elevada. No entanto, é importante destacar que essas duas cidades têm puxado fortemente o setor, sob grande influência do agronegócio”, acrescenta Kahtalian.

Dos grandes polos, a cidade que permanece estável no setor é Foz do Iguaçu, dificuldade ocasionada principalmente pelo baixo crescimento populacional.

Em Cascavel, com 324 mil habitantes, a taxa de crescimento é de 1,6% ao ano, acima da média nacional. Estima-se que o Município receba anualmente 5 mil habitantes a mais. Assim como em toda a região, a cidade terá de ampliar a oferta de produtos para atender a demanda crescente.

Hoje há R$ 800 milhões em estoque de imóveis novos à venda. Só no primeiro trimestre do ano passado houve incremento de R$ 200 milhões em lançamentos, no segundo foram R$ 71 milhões, no terceiro mais R$ 34 milhões e, no último, R$ 34 milhões.

A oferta ativa de empreendimentos com venda abertas é de 127 empreendimentos: 97 prédios residenciais, quatro prédios comerciais e 26 loteamentos. Até dezembro, a oferta era de 13 mil unidades à venda, restaram 2,8 mil unidades: 1,5 mil apartamentos e 1,4 mil lotes. “A média de disponibilidade é de 21%, abaixo dos 30% e isso proporciona uma taxa confortável. Neste ano, a economia terá grande contribuição do mercado privado. Há uma grande nuvem cinzenta sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida, cujo subsídio está contingenciado e assim deve permanecer devido à baixa possibilidade de endividamento do setor público. A demanda será puxada pelo setor imobiliário e não por obras financiadas pelo governo”, afirma Kahtalian.

 

 



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