Dez anos depois de pedir autorização para o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) para construir um shopping na cabeceira do Lago Municipal de Cascavel, até hoje a obra não saiu dos primeiros pilares. Foi preciso enfrentar uma longa batalha na Justiça, até que há três anos um termo de conduta permitiu que o Shopping Catuaí acontecesse. Mas não aconteceu.

Se não há mais entraves políticos nem judiciais, por que então o shopping ainda não está pronto?

A versão oficial da administradora é de que a construção vai sair sim e que será retomada assim que confirmar 80% dos espaços. A questão é quando isso vai acontecer.

Até agora, conforme a BR Malls, dois terços da área bruta locável – em torno de 65% – foram comercializados. Parte desses espaços estaria reservado para grandes redes, como Americanas, Marisa, Casas Bahia e Renner.

Bom, a reportagem do Hoje News procurou essas redes. Surpresa! As Lojas Americanas, Marisa, Casas Bahia e Renner não possuem previsão para se instalar no Catuaí. Elas representam quatro das oito lojas âncoras e de operações confirmadas pelo Grupo BR Malls, responsável pela construção e comercialização dos espaços do Catuaí Shopping, e negam que tenham firmado contratos com o grupo e dizem que nem sequer possuem projeto de novas unidades para Cascavel. As demais lojas – Polo Wear, Riachuelo, Ri Happy e Magic Games – foram procuradas mas não responderam.

 

Catuaí insiste no prazo

Procurada de novo para falar sobre a negativa das lojas, a assessoria de imprensa do Catuaí mandou email no qual “insiste e reafirma que as respectivas lojas estão confirmadas no empreendimento”. Também ratifica a informação que consta no site oficial do grupo, de que o shopping deve ser inaugurado ano que vem. “A administração do Catuaí Shopping Cascavel reafirma que estão confirmadas as presenças com respectivos contratos firmados as lojas âncoras e operações Magic Games, Ri Happy, Americanas, Polo Wear, Renner, Riachuelo, Casas Bahia e Marisa”.

 

Vai e vem

Quando se fala no Catuaí, muitos duvidam da possibilidade de inauguração do shopping em Cascavel. Isso porque o projeto, que teve licença para construção expedida em 2008 pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná), ainda não foi concluído e ao que parece, não deve cumprir os prazos estabelecidos no cronograma.

A estrutura pouco mudou após embargo da obra, em 2012, depois que o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública, por meio da procuradora federal Monique Cheker. Em dezembro daquele ano, o MPF solicitou a paralisação definitiva do empreendimento, com a justificativa de que haveria fragilidade hidrogeológica e inviabilidade da construção por conta da existência de nascentes do Rio Cascavel na área em que o shopping foi projetado.

Foi somente em 2014 que o Grupo BR Malls conseguiu reverter o embargo. Para isso, deu como garantia R$ 10 milhões a fim de conter os prejuízos ambientais. Porém, logo em seguida sofreu um revés, com um segundo pedido de embargo da Justiça Federal, que corroborou as justificativas da primeira decisão judicial.

Um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) foi firmado em 2015 com o objetivo de o empreendedor assumir alguns compromissos. O TAC, no entanto, não impediu que a Associação Global de Desenvolvimento Sustentado, de São Paulo, entrasse com uma apelação para travar novamente a obra. Só na metade de 2016 é que o Tribunal Regional Federal reconheceu a legalidade do TAC e deu início ao prazo para os ajustes.

Em agosto de 2017 houve a última manifestação do grupo em Cascavel, que ocorreu na prefeitura. A ocasião serviu para anunciar o retorno da comercialização dos espaços no Catuaí.