BRASÍLIA ? O líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), acredita que seu antigo aliado, o ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não escapará da cassação na votação marcada para o dia 12 de setembro. Moura, que disse ter conversado com Cunha há cerca de 15 dias, afirmou ao GLOBO que, com tantos deputados candidatos nestas eleições municipais e outros tantos com parentes que disputarão o pleito, haverá quórum e votos suficientes para retirar o mandato do peemedebista.

Ao GLOBO, Moura elencou três fatores que, em sua opinião, reforçam a hipótese de que Cunha será cassado. O primeiro deles é o número de candidatos às eleições municipais. Em suas contas, ao menos 20 deputados disputarão a vaga de prefeito em diversos municípios e mais de 100 deputados têm familiares diretos que também serão candidatos. Com o forte apelo popular que a situação de Cunha ganhou após mais de um ano de sucessivas denúncias de corrupção, estes parlamentares tendem a estar sensíveis à opinião pública no período eleitoral.

? Quase um terço da Câmara vai disputar, de forma direta ou indireta, estas eleições. Acredito que os deputados vão pensar duas vezes nesta votação, lembrando que o voto é aberto ? afirma o líder.

O outro motivo apontado por André Moura é o que ele chama de não interferência do governo neste caso. O líder destacou que a ordem no Palácio do Planalto é não trabalhar nem a favor, nem contra a cassação de Eduardo Cunha. Com isto, diz, mais deputados devem se sentir livres para dizer ?sim? sobre a perda de mandato do ex-presidente da Câmara:

? Se o governo estivesse operando a favor de Cunha, o processo não teria sido aprovado nem no Conselho de Ética, que tem 21 integrantes, nem na Comissão de Constituição e Justiça, que tem 66. E, se passou nesses dois colegiados, imagine no plenário, com 513 deputados ? afirma.

O terceiro elemento listado por Moura diz respeito à possibilidade de, devido ao baixo quórum, Cunha acabar escapando do processo, já que são necessários os votos de 257 deputados ? a maioria absoluta da Câmara ? a favor da cassação. Para o líder do governo, a sistemática implementada na Casa nas semanas que antecedem as eleições municipais devem assegurar a presença de um número suficiente de deputados no dia da votação.

? Para atender os deputados, estamos trocando as tradicionais terças e quartas-feiras de votação pelas segundas e terças-feiras, porque, em geral, os eventos de campanha começam a partir de quarta. Então, estarão todos habituados a virem à Câmara às segundas nessas próximas semanas. Não vai ser nenhuma convocação extraordinária. Acho muito difícil as pessoas não aparecerem ? sustenta o deputado, que diz que estará presente no dia da votação e que já decidiu seu voto, mas não quis revelar se ajudará ou não Cunha a se salvar.

? Eu garanto que votarei, mas vocês só vão conhecer o meu voto no dia ? diz.