“Meu filho nasceu prematuro, foi para a UTI, tomou fórmula e já saiu com receita de leite artificial do hospital. Assim que cheguei em casa começaram os palpites de que meu leite não estava sustentando, que ele não saía do peito, que era pra dar chupeta e mamadeira. Só não desisti porque eu queria muito amamentar meu filho e porque meu marido tinha estudado junto comigo sobre o assunto e me deu apoio”. O relato da biomédica e acupunturista Yasmin Timm da Silva retrata a realidade de grande parte das mulheres brasileiras.

O caminho para nutrir o próprio filho, seguindo as recomendações da OMS, é cheio de obstáculos, dor e preconceito. Amamentação é questão de saúde pública, por isso a Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam aleitamento materno exclusivo até os 6 meses do bebê e, mesmo depois da introdução alimentar, deve ser mantido até, pelo menos, os 2 anos de idade – para garantir um desenvolvimento saudável das crianças.

Os motivos para desistir são muitos: dor, falta de apoio e de informação para superar os desafios iniciais da amamentação; facilidade de prescrição de fórmulas e bicos artificiais; profissionais de saúde desatualizados que dão orientações equivocadas; preconceito e exclusão social com a amamentação em público; e a volta ao trabalho antes da introdução alimentar dos bebês, com falta de apoio de muitos empregadores.

A Yasmin conseguiu superar o desafio inicial buscando ajuda. Contratou consultora de aleitamento materno, fez relactação para o filho ganhar peso, entrou para um grupo de mães, o Maternar Cascavel, para troca de experiências e teve o apoio incondicional do marido. Mas, para manter a amamentação até os 2 anos, precisou abrir mão da carreira. “Voltei a trabalhar quando meu filho tinha 6 meses e acabei trabalhando só por mais um mês. Eu já não fazia mais relactação, mas continuava ordenhando durante as mamadas para armazenar o leite. Quando voltei a trabalhar, meu filho ficava com o avô, que dava o leite materno no copinho. Foi muito difícil porque ele não aceitava bem o leitinho dado por outra pessoa e ele ainda não tinha começado a introdução alimentar, porque era prematuro. Várias vezes cheguei atrasada ao trabalho, ou precisei sair mais cedo, porque meu filho chorava de fome. Ou meu pai o levava até meu trabalho pra eu dar mamá. Aí ficou insustentável”, explica Yasmin, que optou por se dedicar integralmente à maternidade e até hoje amamenta o filho Lorenzo, de 2 anos e 10 meses, e também a Laura, de apenas 2 meses.

Responsabilidade de todos

“Proteger a amamentação: uma responsabilidade de todos” é o tema Semana Mundial do Aleitamento Materno 2021, escolhido pela OMS. O tema vem de encontro com as dificuldades que as famílias enfrentam e convoca toda a sociedade para proteger a amamentação das nossas crianças.

“É preciso que todos entendam que a mãe que acabou de ganhar um filho necessita apoio, frases de incentivo, informação e compaixão. A gente é criticada por não dar mamadeira, por não desmamar logo, por alimentar nossos filhos em espaços públicos. A frase que mais escutamos é ‘ainda mama?’. Somos mamíferos e a amamentação deveria ser algo natural na sociedade. Precisamos de políticas de incentivo para que essa mãe consiga chegar até os dois anos. Porque o início é realmente muito desafiador”, explica Patrícia Laginski, coordenadora do Maternar Cascavel.

54 dias é a média de aleitamento dos bebês no Brasil, segundo o relatório da OMS e do Fundo das Nações Unidas (Unicef). O último Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) do Ministério da Saúde, divulgado em 2020, apontou melhoras em alguns números. 45,7% dos bebês mamam exclusivamente no peito até os 6 meses de idade. Antes esse número era de 38,6%. Mas ainda é considerado baixo, uma vez que menos da metade dos bebês alcança esse índice.

Ações

O Maternar Cascavel, grupo de apoio a mães que defende a amamentação e a educação não violenta, e o Gesta Cascavel, Grupo de Apoio ao Parto Ativo, pelo terceiro ano consecutivo encabeçam as ações de conscientização do Agosto Dourado em Cascavel, justamente para mostrar que as famílias precisam de apoio. Estão programadas lives informativas, com profissionais referência em aleitamento materno, depoimentos de famílias, exposição fotográfica e, acompanhando os protestos nacionais, o Mamaço 2021.

“Nossa programação foi pensada para oferecer informações às famílias que já iniciaram a amamentação, às gestantes e também aos profissionais de saúde, da educação, estudantes, empresários e políticos. Precisamos normalizar o ato de amamentar, conscientizar e empoderar toda a sociedade para proteger a saúde das nossas crianças”, ressalta Charlise Maeberg, coordenadora do Gesta.

Por causa do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, este ano mais uma vez a programação vai ser quase toda virtual. Todas as atividades são gratuitas e serão realizadas e divulgadas na redes sociais @maternarcascavel e @gestacascavel.

 

Confira a programação do Agosto Dourado em Cascavel:

-06/08 – Live 20h: “Amamentação prolongada e desmame”.

-07/08 – Live 9h: “A importância do Aleitamento para o desenvolvimento da face

– 07/08 – 15h – MAMAÇO VIRTUAL – será divulgado para a imprensa e nas redes sociais @maternarcascavel e @gestacascavel

– 22/08 – Exposição Fotográfica: “SEU APOIO É IMPORTANTE”, pela manhã, na Feira do Teatro de Cascavel.