A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) ofertará, a partir de 2019, o curso de Licenciatura em Pedagogia, que vai atender a demanda da comunidade residente na Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, no centro-sul do Paraná. Já a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) passará a ofertar o bacharelado em Nutrição, em 2020. Os decretos de autorização dos novos cursos foram assinados pela governadora Cida Borghetti nesta sexta-feira (7), em solenidade no Palácio Iguaçu, em Curitiba.

A educação superior do Paraná passa por um momento histórico, ressaltou a governadora. “Ao longo desses oito meses de gestão tivemos a oportunidade de trabalhar na criação de vários cursos superiores, que garantirão qualidade na formação profissional”, afirmou ela. Em oito meses, a governadora assinou a autorização de funcionamento de 10 cursos de graduação, em áreas estratégicas, nas universidades estaduais. Com a ação, serão criadas mais de 390 vagas para o ensino superior.

Foram criados os cursos de História, Medicina e Pedagogia na Unicentro; Direito, Engenharia de Produção e Museologia na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Medicina na Estadual do Norte do Paraná (UENP), Biotecnologia e Nutrição na Universidade Estadual de Londrina (UEL), e, agora, a Nutrição para a Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Em 2010, as universidades possuíam 312 cursos de graduação, presencial e a distância, número que em 2020 deve chegar a 380, representando um aumento de 20%. As instituições somam mais de 70 mil alunos em diferentes cursos de graduação e pós-graduação.

DESENVOLVIMENTO

O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Décio Sperandio, explicou que os novos cursos atendem as demandas apresentadas pelas regiões onde as instituições estão inseridas. “Antes de criarmos os cursos, fazemos uma análise para verificar a necessidade, sempre levando em consideração que nosso sistema de ensino tem uma característica regional”, disse ele. “Um curso, quando criado em alguma localidade, contribui não só com o desenvolvimento acadêmico, mas também com o cultural, social e econômico”, afirmou.

PEDAGOGIA

O curso Pedagogia da Unicentro, que vai atender à demanda da comunidade da Terra Indígena Rio das Cobras de Nova Laranjeiras, tem como objetivo formar professores indígenas das etnias Kaingang, Guarani e Xetá para atuarem na educação infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental e na gestão da educação escolar indígena. “É uma formação que vai resgatar a história e dar possibilidade de um melhor ensino para as crianças, para que tenham mais qualidade e igualdade”, disse Cida.

O cacique Angelo Kavigtanh Rufino, da etnia Kaigang, disse que é um marco para a sua comunidade. “No início, achávamos que isso não aconteceria, mas hoje estamos aqui para presenciar esse ato tão importante para todos os povos indígenas do Paraná”, relatou.

O curso terá o processo seletivo específico para ingresso da primeira em 27 de março de 2019. As inscrições serão realizadas de 12 a 28 de fevereiro de 2019, no site da universidade. De acordo com o reitor da Unicentro, Aldo Nelson Bona, o curso será ofertado em turno integral, com carga horária de 3200 horas, e as atividades acadêmicas serão itinerantes.

“Vai funcionar na terra indígena, onde há um colégio com boa estrutura, em um regime de alternância. Os professores se deslocam até lá, trabalham de maneira concentrada em uma semana, e depois os estudantes continuam sua vida na aldeia. Desse modo, eles podem conciliar a sua vida na comunidade indígena com os estudos”, disse ele.

NUTRIÇÃO – O novo curso de Nutrição vai ser ofertado no campus de Uvaranas e será o primeiro disponibilizado por uma instituição pública na região dos Campos Gerais. “Vai garantir uma formação de muita qualidade aos nossos futuros nutricionistas”, disse a governadora. Hoje, existe apenas uma graduação em nutrição em uma instituição de ensino particular.

No próximo vestibular, de 2019, serão ofertadas 30 vagas, em período integral, com carga horária de 3.838 horas. Para o reitor da UEPG, Miguel Sanches Neto, o curso visa a formação de um profissional de saúde com formação generalista, humanista e crítica. “O foco será na atenção as pessoas e na saúde pública, o que vai ter impacto também no nosso hospital universitário e em toda a região dos Campos Gerais”, salientou.

PRESENÇAS 

Participaram da solenidade o coordenador distrital de saúde indígena, Luiz Mibach; o ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes; o deputado federal Aliel Machado; representantes de etnias indígenas e professores de universidades estaduais.