Brasília – Mais um general irá ocupar um cargo estratégico no novo governo. O ex-ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar a direção-geral da Itaipu Binacional. A nomeação do general Silva e Luna foi confirmada por fontes do Palácio do Planalto e do Ministério de Minas e Energia, ao qual a empresa está vinculada.

Com a decisão, Bolsonaro quebra a tradição de nomear um indicado pelo governo do Paraná. Há três meses entidades e prefeitos têm feito intenso lobby para manter o atual presidente, Marcos Stamm, que está no cargo desde abril do ano passado.

Os procedimentos para a nomeação do general Silva e Luna estão em andamento há pelo menos duas semanas. Várias reuniões já foram realizadas na pasta de Minas e Energia para discutir o que o novo governo quer da administração brasileira na empresa, que esteve na mão do representante do PT Jorge Samek durante 14 anos.

Uma das justificativas para não seguir a sugestão local é justamente a preocupação com o aparelhamento que existe na binacional. A ideia é seguir a orientação geral do Planalto, de verificar em que áreas estão concentradas as nomeações políticas feitas ainda pela administração petista, mas não só por ela, como também pelos demais partidos, inclusive o MDB. Há preocupação também com a forte influência das administrações do governo do Paraná na empresa binacional.

Além disso, a Itaipu seria abrigo para indicados de deputados federais paranaenses. Tanto que há quase um ano a reportagem do Jornal O Paraná tenta ter acesso à relação dos comissionados, mas os dados estão desatualizados.

Revisão geral

Com isso, todos os atos administrativos da parte brasileira serão revistos, principalmente nas áreas de segurança e de coordenação. A área financeira também terá um novo comando.

O Governo Bolsonaro quer tirar toda a influência política que exista na empresa, deixando-a com foco na sua atividade-fim, que é a geração de energia.

A decisão põe em risco centenas de convênios de obras e outros investimentos que a binacional está bancando em todos os 54 municípios de abrangência da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), que vão desde construção de pontes e pavimentação urbana até parques.

Para o atual governo, há um grande leque de ações que estariam sendo usadas para beneficiar grupos políticos.

Revisão 2023

Uma das questões relevantes de discussão da nova administração é em relação à revisão do "Anexo C" do Tratado de Itaipu. Em 2023, o atual tratado completa 50 anos e com isso será encerrado o pagamento anual de US$ 2,2 bilhões referente à dívida de Itaipu. Esse valor representa 62% das despesas de Itaipu. Esse tratado cuida da parte do financiamento da empresa e esse financiamento termina porque a empresa estará totalmente paga.

A partir daí, o governo brasileiro terá de fazer diversas negociações para definir o investimento dos recursos que ficarão disponíveis pelos dois países – Brasil e Paraguai – para definir os novos investimentos pela binacional. A renda de Itaipu é de US$ 3,8 bilhões por ano e 62% deste montante é destinado ao pagamento da dívida de seu financiamento.

A Itaipu, que conta hoje com 3.100 funcionários, fornece energia às regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste do Brasil. É líder mundial em produção de energia limpa e renovável. A usina possui 20 unidades geradoras e tem capacidade instalada de 14 mil megawatts (MW) e fornece 15% da energia consumida no Brasil e 90% no Paraguai.