Foz do Iguaçu – Às vésperas da possível reabertura da Ponte da Amizade, o silêncio das autoridades preocupa os gestores municipais e os empresários de Foz do Iguaçu. Na semana passada, os presidentes Jair Bolsonaro e Mario Benitez haviam confirmado que estariam na fronteira nesta quinta, dia 15, para ato simbólico que abriria a ponte, fechada desde 18 de março devido à pandemia do novo coronavírus. No fim de semana, o governo brasileiro descartou a vinda de Bolsonaro à fronteira, alegando dificuldades de segurança. Desde então, o governo federal não se posicionou mais sobre o ato.

Ontem, o vice-prefeito de Foz, Nilton Bobato, disse que procurou diversas autoridades, inclusive a Embaixada brasileira em Assunção, sem êxito.

Em meio a essa expectativa, a Prefeitura de Foz do Iguaçu e o governo do Estado do Paraná definiram um Plano de Contingência para o enfrentamento da covid-19 com a reabertura da Ponte Internacional da Amizade. O documento foi enviado ontem (13) mesmo ao Ministério da Saúde.

O plano prevê a criação de 70 novos leitos de UTI Covid, sendo 50 no Hospital Municipal e 20 na Macrorregional Oeste; implantação de uma unidade móvel na cabeceira da Ponte da Amizade para triagem dos pacientes; ampliação da testagem com aquisição de insumos; novos equipamentos, como camas elétricas, monitores, ventiladores pulmonares, aparelhos de ultrassom, além da contratação de equipes, incluindo médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem.

Os números levam em consideração a média populacional de Alto Paraná (Paraguai), onde vivem cerca de 736 mil habitantes. Desse total, estima-se que 96 mil sejam brasileiros residentes no departamento. Somados à população da Regional (430 mil habitantes), estima-se que 1,2 milhão de habitantes necessitem de cobertura hospitalar. “Tendo em vista que o governo do Estado adotou o critério de um leito de UTI para cada 10 mil habitantes, nós precisaríamos acrescentar 70 leitos na nossa rede para dar conta do atendimento. Para a ampliação no Hospital Municipal, teremos que realocar os casos leves de trauma para outro hospital”, adiantou Bobato. O custo mensal dessa nova estrutura seria de R$ 6,3 milhões, além de R$ 7 milhões em investimentos (equipamentos e insumos).

Novas equipes

A maior preocupação, segundo Bobato, é com recursos humanos no enfrentamento à pandemia. “O sistema de saúde não dará conta sem a estrutura e o maior problema não é financeiro, mas a falta de recursos humanos no Paraná como um todo. Não há médicos intensivistas e profissionais com experiência em UTI disponíveis. O governo federal assumiu o compromisso desse financiamento, mas, sem os recursos humanos, não conseguiremos viabilizar tudo isso”, ressaltou.

O Ministério da Saúde se propôs a disponibilizar um cadastro de profissionais médicos do País para que o Município faça a contratação.

Demandas

Para o diretor de gestão de saúde da Secretaria de Estado do Paraná, Vinicius Filipak, é preciso avaliar a demanda de paraguaios e brasiguaios que buscarão atendimento em Foz. “É uma tarefa grande, de muita responsabilidade, mas que juntos conseguimos fazer. Nós temos 11 milhões de habitantes no Paraná e não tivemos falta de assistência para essas pessoas. Foz tem uma estrutura muito forte, por isso acreditamos ser possível trabalhar com esse quantitativo. Criar leitos não é algo simples, vamos tentar achar equilíbrio para ver quanto de fato virá com essa demanda”, afirmou.

O Hospital Municipal de Foz é referência para toda a região, sendo também unidade sentinela de vigilância epidemiológica. A unidade dispõe de 40 leitos de UTI Covid e 40 leitos de enfermaria, além de 12 leitos de isolamento transitório.

Expectativa

Já dá para imaginar a expectativa com a reabertura da ponte. O secretário de Indústria e Comércio do Departamento de Alto Paraná, Iván Airaldi, informou que aproximadamente 10 mil pessoas de Cidade do Leste voltaram a seus postos de trabalho nos centros comerciais. As lojas reabriram na segunda, já se preparando para a volta dos compradores brasileiros a partir desta quinta.

Contudo, a princípio, apenas moradores das duas cidades poderão cruzar a fronteira. Quem mora em Foz do Iguaçu e em Cidade do Leste terão que apresentar um documento específico com essa condição para conseguirem cruzar a ponte.