Nova York – O aumento emergencial de gastos públicos adotado pelo governo para combater a crise provocada pela pandemia do coronavírus deve levar o Brasil a registrar déficit primário até 2025, quando atingirá um resultado negativo de 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto), apontam estatísticas do FMI (Fundo Monetário Internacional) no documento Monitor Fiscal.

De acordo com o Fundo, o déficit primário – que é o resultado entre os gastos do governo e a sua receita, sem levar em conta as despesas com juros da dívida pública – deve saltar de um resultado negativo, como proporção do PIB, de 1% em 2019 para 12% em 2020. Em abril, o FMI estimava que o déficit primário neste ano atingiria 5,2% do PIB.

Até 2013, o Brasil vinha acumulando superávits primários – ou seja, gastava menos do que arrecadava. A partir de 2014, esse sinal se inverteu, mostrando um quadro de descontrole dos gastos, e o País perdeu o selo de bom pagador, o que afugenta investimentos externos. Se as projeções do FMI estiverem corretas, o governo vai acumular uma sequência de 12 anos com gastos maiores que as despesas.