Reportagem: Cláudia Neis

Cascavel – Dados da estimativapopulacional divulgada nessa quinta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) evidenciam a migração de municípios menores para cidades com maior potencial econômico, dentro da própria mesorregião, ajudando na formação de novos polos. Para se ter ideia, 24 das 50 cidades tiveram redução demográfica em um ano. Em contrapartida, alguns concentram expressivas altas seguidas, como Cafelândia, Toledo e Cascavel.

“Essa migração para cidades de médio e grande porte está diretamente ligada à oferta de emprego e oportunidades. A demografia segue a economia. No oeste, temos grande concentração de frigoríficos e cooperativas ligados à transformação de proteína animal. Essas grandes empresas precisam buscar mão de obra em cidades vizinhas e aí ocorre a migração para esses municípios. Cafelândia é um exemplo, pois é a cidade que mais registrou crescimento. O mesmo ocorre com Toledo, Santa Helena e Marechal Cândido Rondon”, explica o diretor de Pesquisa do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Julio Suzuki. Segundo ele, o movimento regional segue o que ocorre no Estado: a migração ocorre internamente, sem fluxos significativos de saída e entrada de pessoas de outras regiões ou estados.

O movimento migratório regional fica mais claro ao observa os últimos dois censos demográficos. No comparativo com os números de 2000, oito cidades da região oeste tiveram crescimento acima de 30%, com destaque para Itaipulândia (66,54%), Cafelândia (65,63%), Toledo (45,26%), Pato Bragado (40,38%), Entre Rios do Oeste (38,10) e Cascavel (35,44%).

Já nos últimos dez anos, praticamente as mesmas detêm os maiores aumentos: Itaipulândia (26,14%), Cafelândia (25,88%), Palotina (20,38%) e Toledo (19,56%). Cascavel cresceu 16,12%, e aparece atrás de cidades bem menores, como Pato Bragado (17,88%) e Entre Rios do Oeste (17,07%).

Crescimento menor

Conforme estimativa do IBGE, o oeste tinha 1.322.794 habitantes dia 1º de julho deste ano, acréscimo de 105.236 em dez anos.

Quando considerado o crescimento anual, o oeste segue em ritmo menor que o Paraná e o Brasil. Na comparação com o ano passado, a região apresenta elevação demográfica de 0,58%, contra 0,72% do Paraná e 0,77% do Brasil.

Julio explica que a taxa pode estar ligada a três fatores: “A evolução populacional depende da migração positiva, quando há mais gente chegando do que saindo, da taxa de natalidade e da expectativa de vida. A taxa de natalidade do Paraná, por exemplo, é menor se comparada a outros”.

Cidades menores devem continuar existindo

Com a atualização da população pelo IBGE, confirma-se que, na região oeste, 26 das 50 cidades têm população inferir a 10.188 habitantes – a menor faixa para cálculos de divisão de impostos – e diminuindo.

Contudo, Julio Suzuki acredita que a existência dos municípios menores não está ameaçada. “A existência dessas cidades não depende só da questão econômica, mas também política. Há uma discussão nesse sentido no Congresso Nacional, inclusive. Ao mesmo tempo em que há idosos migrando para centros maiores, em busca de assistência, também há aqueles que, ao se aposentarem, mudam-se para cidades menores em busca de uma vida mais tranquila”.

Redução demográfica implica em repasse menor

Neste ano, estava programado para ocorrer o Censo Demográfico 2020, do IBGE, que atualiza os dados a partir de uma contagem populacional abrangente. Por falta de recursos, a pesquisa foi adiada para ano que vem e corre o risco de também não acontecer, pois o governo está de olho nos R$ 2 bilhões que ela custaria.

Por conta disso, a estimativa populacional deve servir de base para atualização dos coeficientes usados para fins de repasses dos Fundos de Participação Estadual e Municipal, FPE e FPM, respectivamente.

A divisão ocorre em faixas. No oeste, apenas dois avançaram de faixa neste ano: Catanduvas e Toledo.

O diretor de pesquisa do Ipardes, Julio Suzuki, reforça a importância da estatística e do Censo para direcionar as políticas públicas e os investimentos privados. “Esses números são de extrema importância para que os gestores possam saber onde está a população. A migração, por exemplo, mesmo que regional, impacta nas políticas púbicas. Se há um aumento de habitantes em determinada cidade ou região, é preciso reavaliar os investimentos em saúde e educação, por exemplo. Em outros locais onde há redução, talvez seja hora de redirecionar recursos de uma área para outra, mas isso tudo só pode ser pensado quando existe essa informação precisa. Os dados servem também como base para o planejamento de investimentos do setor privado, que, sem essas informações, pode nem acontecer”, explica Suzuki, que complementa: “É difícil mensurar os prejuízos que a ausência desse trabalho pode acarretar. O Censo é um produto de estado e não de governo, será um grande retrocesso se ele não for realizado”.

Paraná é o quinto Estado mais populoso do País

O Paraná se consolida como o quinto estado mais populoso do País. Atualmente, 11.516.840 pessoas residem no Estado, representando 5,4% da população total brasileira. A taxa de crescimento em relação a 2019, quando o levantamento apontava 11.433.957 paranaenses, ficou em 0,72%.

O diretor de Pesquisa do Ipardes, Julio Suzuki, explicou que o Paraná é um estado demograficamente consolidado, sem grandes fluxos de saída ou entrada de pessoas. Segundo ele, o que se pode perceber internamente é a migração de cidades menores para cidades médias ou grandes, os chamados polos regionais como Cascavel, Ponta Grossa e Maringá, por exemplo.

“E há outras vertentes, como a taxa de natalidade paranaense ser mais baixa, parecida com a de países desenvolvidos”.

No Paraná, apenas Curitiba rompeu a barreira do milhão. O IBGE revelou que a capital paranaense tem 1.948.626 habitantes, a oitava mais populosa do Brasil. São Paulo continua sendo o município a liderar o ranking, com 12.325.232 de pessoas, mais, inclusive, que todo o Paraná. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (6.747.815), Brasília (3.055.149), Salvador (2.886.698), Fortaleza (2.686.612), Belo Horizonte (2.521.564) e Manaus (2.219.580).

Cascavel é a 4ª maior do Paraná

Depois de Curitiba, com 1.948.626 habitantes, Londrina segue com a maior população, com 575.377 pessoas. O ranking das “10 mais” é completado por Maringá (430.157), Ponta Grossa (355.336), Cascavel (332.333), São José dos Pinhais (329.058), Foz do Iguaçu (258.248), Colombo (246.540), Guarapuava (182.644) e Paranaguá (156.174).