Cascavel – A geração formal de empregos no mês de janeiro na região oeste do Paraná foi a melhor de toda a série histórica do Caged (Cadastro geral de Empregados e Desempregados), agora vinculado à Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Os números começaram a ser divulgados em 2003 e desde então não se via um primeiro mês do ano com tantas colocações formais. De acordo com os dados, os seis municípios da região avaliados pelo Caged – Assis Chateaubriand, Cascavel, Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, Medianeira e Toledo – registraram 1.278 vagas criadas. O número é 14% superior ao registrado em janeiro de 2018 quando haviam sido 1.118 efetivações.

O segmento que mais empregou, seguindo a tendência dos três últimos anos, foi o de serviços com mais de metade das novas oportunidades no mercado formal. Foram 735 efetivações.

A grande surpresa foi a segunda colocação neste ranking. Após cinco anos em baixa, a construção civil que vinha em oscilações entre mais demissões do que contratações ou crescimento tímido nas efetivações, fechou janeiro com 273 novas oportunidades e na vice-liderança da empregabilidade regional.

“São dois segmentos importantes a serem avaliados. O setor de serviços foi um dos que melhor reagiu à crise desde 2015. É um setor que abrange muitas áreas essenciais ou que as pessoas não abrem mão, então ali os empregos foram menos castigados. Já a recuperação da construção civil indica que em breve poderemos visualizar novas grandes obras. Por outro lado, precisa ser analisado se não é algo sazonal, contratações por um curto período… é preciso identificar o comportamento nos próximos meses também”, afirma o economista Marcelo Dias.

Para o presidente do SIndilojas (Sindicato dos Lojistas e do Comercio Varejista de Cascavel e Região Oeste do Paraná), Leopoldo Furlan, esses sinais podem refletir uma realidade para um médio prazo. Ele, que atua no setor de acabamentos na construção civil, afirma que comerciantes do setor ligados ao fornecimento de materiais pesados, como ferro e aço para início da fundação das obras, têm relatado que as vendas voltaram a crescer de forma tímida, mas gradativa. “Isso pode indicar que grandes obras estão vindo, ou começando ou mesmo sendo retomadas”.

O terceiro segmento na lista dos maiores empregadores foi a indústria da transformação com 210 novas ocupações. Já o segmento com pior desempenho no primeiro mês do ano foi o comércio. “Isso certamente foi o reflexo dos desligamentos das contratações temporárias feitas no fim do ano”, seguiu o economista Marcelo Dias.

Entre os seis municípios avaliados, Cascavel foi o que mais empregou na região, com 737 novas oportunidades com carteira assinada, seguido por Toledo, com 224, e Foz do Iguaçu, com 143. Medianeira teve saldo positivo de 118, Marechal Rondon de 41 e Assis Chateaubriand de 15.

Brasil tem saldo positivo de empregos

O emprego formal no Brasil manteve a tendência de crescimento registrada em 2018 e fechou janeiro de 2019 com saldo positivo de 34.313 postos de trabalho. Contudo, a criação de empregos caiu 56% em relação a janeiro de 2018, quando haviam sido abertos 77.822 postos formais de trabalho. Mesmo assim, foi o segundo melhor saldo do mês janeiro desde 2013. As informações são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado nesta quinta-feira (28) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Houve crescimento em cinco dos oito setores econômicos: Serviços (43.449 postos), Indústria de Transformação (34.929 postos), Construção Civil (14.275), Agropecuária (8.328 postos) e Extrativista Mineral (84 postos). Ocorreu redução no nível de emprego nos setores do Comércio (-65.978 postos), Administração Pública (-686 postos) e Serviços Industriais de Utilidade Pública (-88).

O setor de Serviços foi o principal destaque na geração de emprego de janeiro. Foram registradas 573.615 admissões e 530.166 desligamentos, resultando em um saldo de 43.449 postos de trabalho, um crescimento de 0,25% sobre o mês anterior.

O segundo maior saldo positivo de janeiro foi da Indústria de Transformação, com saldo positivo de 34.929 postos (0,49%).

O setor da Construção Civil gerou 14.275 postos de trabalho (0,72%).

Regional

Em janeiro, onze das 27 unidades da federação fecharam o mês com variação positiva no saldo de emprego. Os maiores resultados ocorreram em Santa Catarina, com 20.157 postos (+1,01%); São Paulo, com 14.638 postos (+0,12%); Rio Grande do Sul, com 12.431 postos (+0,49%); Mato Grosso, com 11.524 postos (+1,68%); Paraná, com 9.145 postos (+0,35%); Mato Grosso do Sul, com 6.094 postos (+1,21%); e Goiás, com 3.777 postos (+0,31%).

Os menores saldos de emprego foram verificados no Rio de Janeiro, com -12.253 postos (-0,37%); Paraíba, com -7.845 postos (-1,94%), Pernambuco, com -7.242 postos (-0,58%); Alagoas, com -5.034 postos (-1,43%); Ceará, com -4.982 empregos (-0,43%); Para, com -2.919 empregos (-0,40%); e Piauí, com -1.905 postos (-0,65%).

Reportagem: Juliet Manfrin