Ela é mestre em conquistas

Ao analisar discurso acerca do sujeito transexual e transgênero, Jaqueline busca agora o doutorado

Falta pouco, muito pouco para Jaqueline Denardin receber o título de mestre em Letras pelo programa de pós-graduação da Unioeste de Cascavel. Não bastasse o currículo acadêmico de dar inveja, esta reportagem poderia parecer corriqueira, mas Jaqueline é uma pioneira.

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É que Jaqueline é o nome social da primeira mulher transexual que está prestes a conquistar o título de mestre pela Unioeste. Sua banca está marcada para 8 de fevereiro. Este já pode ser considerado um ato comemorativo ao Dia da Visibilidade Trans, que o Brasil comemora dia 29 de janeiro.

Orientada pela doutora em letras Dantielli Assumpção Garcia, Jaqueline analisou, em sua dissertação, o abordagem midiática a partir de uma série de reportagens exibida em 2017 em rede nacional sobre o discurso poético, religioso, jurídico, social e médico acerca do sujeito transexual ou transgênero.

Educadora desde sempre, foi nas salas de aula que a professora Jaqueline encontrou voz e fazer o que mais ama: ensinar e aprender.

Natural de Corbélia, a professora da rede estadual de educação também ministra disciplinas em curso superior. Chegar até aqui não foi fácil, mas, diante de todos os enfrentamentos, há um caminho repleto de gratidão. “Na Unioeste encontrei acolhida, sou extremamente grata por tudo o que recebi ali”, conta, quase em lágrimas.

E é para a instituição que ela pretende voltar em alguns anos. A professora já está com as malas prontas. Vai passar uma temporada em Cuiabá, onde acaba de ser aprovada para o curso de doutorado em Estudos Linguísticos na UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso).

Apesar do retorno para o oeste do Paraná já estar previsto na agenda, seus panos são muitos. Jaqueline quer o pós-doutorado e seguir replicando o que tem aprendido todos os dias: “A sala de aula é o meu local de trabalho, pretendo seguir como professora e gostaria muito de voltar à Unioeste em alguns anos”.

A força de Jaqueline não se restringe à determinação nos estudos. Ela foi eleita Miss Brasil Trans em 2017 e se orgulha das raízes: “As barreiras precisaram ser transpostas com determinação e bastante sacrifício”.

Ex-empregada doméstica, Jaqueline diz que nunca foi vítima de homofobia na forma mais agressiva da palavra, não sofreu violência física, teve uma base familiar estruturada que, apesar das resistências peculiares à sua condição, aceitou-a incondicionalmente. Contudo, ela admite: os preconceitos estão interpostos em quase todos os ambientes.

“Tive muita sorte, pois sempre soube que eu era mulher. Fui criada pelos meus avós e, apesar de meus pais nunca terem se casado, sempre vive em um ambiente de proteção, nunca sofri abusos, mas sabemos que a realidade de muitas mulheres trans é diferente e tudo o que espero é a transformação da sociedade pela educação, que haja respeito e que as pessoas nos aceitem, se aceitem”, completou.

A banca histórica no próximo dia 8 será acompanhada pelos pais, seus amigos e os educadores, todos essenciais para sua conquista.


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