Podemos dizer que a estreia sempre é mais difícil, mas quem sabe sabe e em algum momento deixa isso transparecer. Não foi o caso dos candidatos a presidente do Brasil, no debate promovido pela Band na noite de quinta-feira.

Mais preocupados em apontar o dedo e em dizer “como querem que as coisas sejam”, esqueceram-se de dizer como pretendem fazer para gerar emprego, reverter a crise, melhorar a saúde e a educação, enfim, como governar o País.

As avaliações mais brandas foram de que o debate foi “morno”. Outras análises o qualificaram com “vazio de propostas”.

Ex-ministra e veterana em campanhas presidenciais, Marina Silva não apresentou uma única proposta efetiva. Falou das suas mazelas pessoais e esqueceu e dizer como enfrentar os maiores problemas brasileiros.

O também veterano Geraldo Alckmin tentou se desfazer do apelido de “picolé de chuchu” adotando uma fala mais segura, mas exagerou na burocracia e nas explicações técnicas, que ninguém conseguiu entender.

Outro veterano, Ciro Gomes também estampou um sorriso nada convincente e por vezes escorregou no vocabulário agressivo, chegando a chamar os brasileiros de “povão”, e depois apelou para o populismo, prometendo pagar as contas dos endividados. Só não contou o segredo.

Líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro tentou conter o ímpeto ideológico, mostrando uma nada convincente simpatia, e também não disse a que foi.

O senador Alvaro Dias transpareceu nervosismo no início e foi relaxando no decorrer do debate, e, mesmo sem propostas práticas, usou um discurso coerente de acabar com a corrupção e “refundar a República”.

Henrique Meirelles não sabia o que fazia no palco e mais parecia estar teimando economia com outro economista de linha divergente.

Guilherme Boulos e Cabo Daciolo dispensam qualquer análise coerente.