Durante quarentena, só bebidas alcoólicas tiveram aumento de vendas

Os produtos que menos registraram queda nas vendas foram os de áudio, vídeo e eletrodomésticos, com redução de 5% no período

Reportagem: Cláudia Neis

JK

Cascavel – Um levantamento realizado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas) em Cascavel mostra que, de 23 atividades pesquisadas, apenas uma registrou aumento de venda desde a adoção das medidas de restrição para conter o avanço do novo coronavírus: a de bebidas alcoólicas.

Os dados analisados foram o faturamento com base na emissão de documentos fiscais que constam nos registros da Secretaria da Fazenda. “Foram analisados os números referentes à primeira semana de março, antes da pandemia, e da última semana de abril, quando todas as medidas de enfrentamento já haviam sido tomadas pelos governantes. Podemos observar que somente o comércio de bebidas alcoólicas teve variação positiva no período; alguns setores caíram mais de 70%”, explica o consultor Adir Mattioni, do Sebrae Oeste.

Os produtos que menos registraram queda nas vendas foram os de áudio, vídeo e eletrodomésticos, com redução de 5% no período. Mesmo os setores de farmácias, hipermercados e supermercados registraram queda, 21% e 23% respectivamente.

Os piores números são de vestuário com redução de 66%; restaurantes e cama/mesa/banho que tiveram queda de 71% nas vendas e o pior é o setor de calçados, que registrou queda de 74% nas vendas no período.

O levantamento faz parte do trabalho realizado pela entidade de análise dos reflexos da pandemia na economia local e elaboração de ações que fazem parte do plano de retomada econômica que o município deve adotar.

Segundo o consultor, os trabalhos de análise e levantamento de dados estão sendo finalizados e algumas ações recomendadas ao Município, como facilitação de crédito para pequenos empreendedores, já foram colocadas em prática. “Conforme vamos mapeando a situação, ações vão sendo recomendadas, como o programa de crédito municipal Banco da Mulher. Ainda existem recomendações como analisar ações e projetos que não são urgentes e ter recursos remanejados para o enfrentamento da crise econômica; outras em vias de acontecer, como possível alteração nos processos licitatórios para dar preferência a fornecedores e empresas locais; maior digitalização do governo; simplificação do processo de aberturas de empresas, que vai agilizar e reduzir o custo; e ainda uma série de outras ações embasadas na parceria público-privada que estamos elaborando e devemos apresentar na próxima semana a empresários e representantes de entidades. Queremos ouvi-los também, pois é um projeto construído a quatro mãos”, ressaltou Adir.

Na fronteira

Levantamento semelhante ocorre em Foz do Iguaçu. As iniciativas são do POD (Programa Oeste em Desenvolvimento), do Amop (Associação dos municípios do Oeste do Paraná), da Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná) e do Sebrae.

A ideia é entender como está a situação econômica das cidades e, com base nisso, elaborara ações de retomada.

Em Foz do Iguaçu, uma parceria das entidades com um projeto já pré-existente e adaptado pela Itaipu Binacional já elaborou uma série de ações que começam a ser colocadas em prática, uma vez que o Município teve a receita com o turismo, responsável por 40% da arrecadação, completamente zerada por conta da pandemia.

No Paraná, uma cartilha com mais de 100 sugestões de ações relacionadas a dez temáticas deve ser lançada e encaminhada a todos os municípios. A elaboração será em parceria do Sebrae, da AMP (Associação dos Municípios do Paraná), do governo do Estado e de federações.


POD descarta PIB negativo na região

Diante da situação atual, com previsão da maior queda da economia da histórica brasileira, o presidente do POD, Danilo Vendruscolo, está otimista com a região oeste do Paraná e afirma que o agronegócio deve garantir o crescimento da região. “O setor produtivo de proteína vegetal, como soja, e proteína animal, as carnes, não vai sofrer impactos negativos com a pandemia. Eles estão aquecidos com a produção normal de proteína animal, as exportações e a alta do dólar. Então, não tenho dúvidas de que o PIB [Produto Interno Bruto] regional vai crescer este ano. Além disso, o setor agrícola é a base da nossa economia e injeta e faz circular muito dinheiro, o que movimenta também o comércio como um todo. Precisamos olhar para o futuro com otimismo, pois a região oeste é muito privilegiada”, avalia.

Ele cita ainda o crescimento do setor de proteína animal com o investimento de mais de R$ 1 bilhão anunciado por uma cooperativa e que deve, no período de três anos, criar 4.500 novos empregos.

Vendruscolo destaca a produção de soja e milho na região, que deve abastecer a indústria de ração para produção de proteína animal, e cita ainda a safra paraguaia que deve suprir a necessidade regional de grãos. “Este ano, com a redução do valor do petróleo e o consumo de combustíveis, as indústrias de etanol do Paraguai, que consumia 70% da safra de milho do País, devem reduzir drasticamente a compra do grão. Com isso, a região oeste deve absorver essa produção e não precisará recorrer a outros estados. Além disso, com a chuva dos últimos dias, a nossa produção do milho safrinha também deve se recuperar e, mesmo com uma quebra já identificada, resultar em uma boa safra”, acredita o presidente do POD.

Queda no consumo é compensada com exportação

 

Outro fator que leva Danilo Vendruscolo a enxergar um futuro mais otimista é o fato de as exportações de proteína animal terem suprido a queda no consumo interno, mantendo assim o pleno funcionamento da cadeia produtiva. “Desde o início da pandemia tivemos uma redução de 15% no consumo interno de carnes. Mas esse impacto foi compensado pela ampliação dos mercados, principalmente europeu. Então, a perspectiva de retração na cadeia produtiva, que foi cogitada inicialmente, não se concretizou. Tivemos também um gargalo logístico de exportação, ficou muito produto parado no meio do processo de escoamento, mas agora está entrando na rota e as exportações sendo normalizadas”, complementa o presidente do POD.

 

JK

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