São Paulo – Pela primeira vez desde junho, o dólar fechou em queda de 1,13%, cotado a R$ 4,9661 nessa terça-feira (22), no menor nível desde 10 de junho de 2020, quando encerrou cotado a R$ 5,93.

O dia foi marcado pela fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, sobre o rumo da política monetária dos Estados Unidos. Apesar do desempenho da divisa americana e do bom resultado do mercado de Nova York, a Bolsa brasileira (B3) cedeu 0,38%, aos 128.767,45 pontos.

O resultado veio de uma combinação de fatores internos e externos. Internamente, a sinalização na ata do Copom de que o ritmo de elevação da Selic já poderia ter se intensificado na reunião da semana passada levou instituições – como o Itaú, o Bank of America e o ASA Investments – a aumentarem a aposta de juros mais altos pela frente no Brasil, o que torna o País mais atrativos para o capital externo.

Lá fora, a moeda americana intensificou o ritmo de queda ante moedas fortes e alguns emergentes já na parte da tarde. Em discurso no Congresso, Powell disse que a recuperação da economia dos Estados Unidos “ainda tem um longo caminho pela frente.”

Nesse cenário, ele comentou que “a crescente desigualdade de renda é um freio para a economia dos Estados Unidos” e descartou uma alta “preventiva” dos juros, mas prometeu agir “se a inflação ficar muito elevada.”

A fala vem em sintonia com comentários também moderados feitos por autoridades do Fed, como John Williams (Nova York), Robert Kaplan (Dallas) e, principalmente, James Bullard (St. Louis), que havia acendido luz amarela na sexta-feira ao mencionar a proximidade do início de retirada de estímulos – na segunda-feira, Bullard voltou atrás.