RIO. A presidente afastada Dilma Rousseff prepara uma carta para os senadores ainda indecisos quanto à votação final do processo de impeachment e para a base social do PT, que foi às ruas defendê-la. A ideia é divulgá-la na próxima semana.

O assunto foi discutido mais uma vez na noite desta quinta-feira, no Palácio da Alvorada, em reunião de Dilma com presidentes de partidos aliados, integrantes de movimentos sociais e o ex-ministro Ricardo Berzoini.

Em um aceno aos senadores indecisos, Dilma pretende apoiar a realização de um plebiscito sobre a convocação de novas eleições e sobre reforma política. Também deve se comprometer com o equilíbrio fiscal, caso retome seu mandato.

Para afagar a base petista, ela deve reafirmar compromissos sociais e prometer, por exemplo, a manutenção da política de reajuste do salário mínimo. No documento, a presidente afastada deve fazer uma avaliação do legado petista e afirmar que pretende, caso reassuma a presidência, retomar o programa que a reelegeu em 2014. Dilma era alvo de críticas de movimentos sociais e do sindicalismo pela política econômica implementada em seu segundo mandato.

A cúpula petista considera a volta de Dilma ?improvável?, mas, mesmo assim, aposta no desgaste do governo interino de Michel Temer, principalmente com os desdobramentos da Lava-Jato, que já derrubou três ministros.

— Estou otimista, mas realista — resume uma liderança petista.

O PT está dividido sobre a melhor estratégia a adotar em relação ao processo de impeachment. Senadores do partido defendem o plebiscito, que não conta com o entusiasmo da direção do partido. Essa última aposta na divulgação da carta. A cúpula do partido considera ruim politicamente a defesa do plebiscito e inviável do ponto de vista prático. O trâmite no Congresso para viabilizar a realização da consulta popular é difícil e demorada.