As barreiras nunca impediram Sebastião Madril (PMB) de seguir em frente e intimidação parece não fazer parte da rotina do policial militar da reserva. A franqueza no plenário nem sempre agrada os colegas, muito menos o Executivo municipal. Madril é o primeiro negro a ocupar uma vaga na Mesa Diretora – com vitória diante uma base governista muito bem estruturada – e sempre deixou muito evidente a defesa da classe da segurança pública. Tentou vaga na Assembleia Legislativa, obteve 16.951, mas não foi eleito. Dentre as polêmicas que protagonizou em 2018, está a denúncia contra o comandante do 6º BPM.

 

HojeNews – Que ação destaca como importante no mandato?

Sebastião Madril – Uma das propostas que se tornaram lei que destaco foi a proibição do estacionamento da meia-noite até seis da manhã no canteiro central da Avenida Brasil. Era um problema de 20 anos que ninguém tomava providência. Se ainda existe irregularidade, não é culpa do Legislativo, pois a lei existe, falta fiscalização.

 

HojeNews – A segurança pública se destacou nas suas ações…

Madril – Fizemos de tudo para valorizar a classe da segurança pública, sabemos que o salário ainda é baixo e não temos o que fazer para melhorar. Podemos apenas incentivar a categoria a continuar a desempenhar o bom trabalho.

 

HojeNews – Em setembro, o senhor denunciou o comandante do 6º BPM, tenente-coronel Rubens Garcez, sobre supostas manobras na Cettrans para anular uma notificação de infração de um policial militar. Como foi denunciar o comandante da PM?

Madril – Trabalhei 26 anos na polícia e aprendi a seguir as regras e a lei. Vi vários policiais sendo presos por descumprirem a lei, então, quando teve o caso das notificações, fiz um ofício e a Cettrans tentou encobrir. Sabíamos que aquele policial não fazia parte da corporação e as multas foram arquivadas de maneira errada. Cansei de ajudar policial a pagar multa e vi esses mesmos fazerem curso de reciclagem por trabalharem em viatura descaracterizada ou mesmo com viatura. Então quando vi o erro não pude me calar. Da mesma forma que agi quando vi funcionários da prefeitura roubando diesel. É fácil querer cumprir a lei quando é uma pessoa simples e humilde: matar pulgas é fácil, mas pegar o cachorro bravo ninguém quer.

 

HojeNews – Houve resultados?

Madril – Denunciamos ao Gaeco, mas sabemos que é demorado. Tem que ouvir várias pessoas. Acredito que chegue à Justiça e logo eu também seja ouvido.

 

HojeNews – Como foi a disputa à Assembleia Legislativa?

Madril – O resultado foi muito bom, muitas pessoas foram eleitas devido ao voto de outros candidatos e outros por fazerem mídia. Criticam muito o Tiririca pelos milhões de votos, mas no Paraná temos vários “Tiriricas” que foram eleitos. O eleitor não pesquisa bem a vida das pessoas para votar. Eu não almejo mais e não serei mais candidato a deputado. Cada um pensa do jeito que é melhor para si. A única coisa que condena o ser humano é a consciência.

 

HojeNews – Fazer parte da Mesa Diretora foi um passo importante?

Madril – Foi um desafio grande. Tinha seis votos e ganhamos a eleição da mesa com a Presidência e com os aliados do prefeito. Foi uma vitória de confiança. Foi uma vitória de todos.

 

HojeNews – Qual recado deixa ao prefeito Leonaldo Paranhos?

Madril – Pode esperar o mesmo quando entrei. No primeiro dia, na Câmara, ele me perguntou se eu iria ficar do lado dele. Eu respondi que ficaria do lado do povo e do que é certo. Tanto que eu não tenho cargos indicados na prefeitura, não tenho cargo com ninguém. Sou uma pessoa livre. Fiquei 26 anos na Polícia Militar seguindo regras, hoje, como vereador, não vou me prender a nada nem me vender a nada. Vou ter minha opinião e votar conforme minha consciência. No caso do IPTU, por exemplo, se o prefeito tivesse vindo a público e dissesse que teria aumento real, eu votaria pelo aumento, pois a gente sabe que o IPTU é gerador de fundos para pagar as despesas do Município. Mas se fala em público que não terá aumento e no projeto consta, não concordo com uma atitude dessas.