Dengue é mais grave que o coronavírus

Por Carla Hachmann

Enquanto o mundo se arma diante do risco do novo coronavírus, o Brasil se vê dando tapa para matar mosquito transmissor da dengue, que contaminou mais de 1,5 milhão de pessoas ano passado, e matou 782 pessoas.

Esta semana, o ministro da Saúde, Luiz Mandetta, disse que a “dengue é mais grave do que o coronavírus no Brasil, neste momento”. E com razão. O Paraná, por exemplo, entrou esta semana em situação de alerta de epidemia, com quase 15 mil casos confirmados desde agosto passado, com índice superior a 100 casos por grupo de 100 mil habitantes.

Nosso vizinho Paraguai também registra a pior epidemia da doença da sua história. E ninguém sabe direito o que fazer, já que o mosquito tem se adaptado aos “novos ambientes”, resiste aos inseticidas comuns e o Brasil não consegue encontrar um veneno que possa matá-lo, apelando para o jeitinho manual: que as pessoas evitem água parada e deixem os quintais limpos.

Em pouco tempo, a própria dengue “evoluiu” e hoje já são pelo menos quatro subtipos em circulação, ou seja, até quem já pegou a doença e estaria imune a ela pode voltar a ficar doente.

O apelo à população é válido, afinal, sujeira não faz bem a ninguém e ainda ajuda a eliminar outros problemas, como animais venenosos e até zoonoses. Mas é insano acreditar que isso basta para vencer essa batalha. Sem estratégia melhor que virar os potinhos, o Brasil vai perdendo a guerra contra o Aedes, um inseto de meio centímetro que parece mais esperto que nossos cientistas.



Fale com a Redação

nove + três =