Domínio da linguagem é a capacidade de conseguir, ao ler e ao dizer, conseguir tornar o mundo mais translúcido, menos opaco.

As experiências brutas que nos acontecem diariamente têm um caráter de opacidade. Elas se misturam com as nossas vísceras, pois podemos ficar aprisionados com aquela primeira reação, a primeira emoção mais bruta. Que não faz com que a gente consiga extrair o conceito da coisa.

Isso gera um aprisionamento num mundo da materialidade, isso gera um estado constante de dúvida, de insegurança, irritação e amedrontamento.

Aprender a ler faz essa insegurança passar, pois passamos a conhecer o que de fato nos aflige.

Reforço também que é impossível conhecer sozinho todo o necessário para se orientar na vida, por isso precisamos entrar em contato com outras pessoas.

O assustador é que, às vezes, todos à nossa volta transmitem apenas a sua própria cota de medo e insegurança. E se você fizer um esforço para entrar em contato com obras literárias, estou certo de que dois corações estarão se encontrando, o seu e o do escritor.

Leitura de tweets, posts de Instagram, mensagens de WhatsApp até têm alguma importância, mas não ajudam a consolidar o seu repertório de experiências.

E o pior, ficar preso nelas, pode gerar ainda mais insegurança e ansiedade.

Uma literatura não lida é uma experiência não adquirida.

Quando criei a Bioliderança® no Brasil, eu o fiz para incrementar os níveis de maturidade do indivíduo e não há a menor possibilidade de isso ocorrer sem promover o encontro de dois corações.

Infelizmente, essa é a realidade na qual se encontra a maior parte do mundo ocidental. Fica evidente esse comportamento nas redes sociais; elas denunciam o estado interior das pessoas.

Ao receber uma notícia, comentário e opinião, você consegue absorver dialeticamente? Ou sua reação é visceral, estúpida, burra?

Uma obra literária só alcança a plenitude quando encontra do outro lado um sujeito que a lê e completa com a sua imaginação aquilo que “falta” no texto, mesmo o texto estando completo. É necessário encontrar um leitor devidamente curado.

Lanço um pequeno desafio a você, nobre leitor. Veja se é possível ler o conto de Machado de Assis “O Espelho” e tente saboreá-lo ao ponto de promover os encontros, tente completar através de sua imaginação e humildade.

A leitura deixará de ser odiosa e passará a ser intimidade.

“A magia da linguagem é o mais perigoso dos encantos.” Edward George Bulwer-Lytton


Juliano Gazola é fundador da Bioliderança® no Brasil, business executive coach, reprogramador biológico

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