Foz do Iguaçu – Os números da pandemia no Paraná continuam avançando. A média móvel de casos confirmados de covid-19 mais que dobrou em relação a 14 dias e chegou a 1.873 registros, contra 866 no último dia 6, aumento de 116,3%.

Outro número que chama atenção é o de casos ativos, com capacidade de transmissão da doença. Nessa sexta, 58.925 pessoas estavam infectadas no Paraná, sendo 57.200 em isolamento e 725 internadas. Além disso, 10.418 casos estão em análise e aguardam diagnóstico.

De acordo com o secretário de Saúde, Beto Preto, a taxa de transmissão nessa sexta era de 1,50, quando a ideal é abaixo de 1. Assim, cada infectado tem poder de infectar uma média de 1,5 pessoa. Como ação imediata, ele anunciou a reativação de leitos.

Pelo segundo dia seguido, o Paraná confirma mais de 2 mil casos diários. Nessa sexta, foram informados 2.039 casos e sete mortes em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus. Os dados acumulados mostram que, no Paraná, 248.366 pessoas já foram infectadas, das quais 5.780 morreram em decorrência da doença.

Nova Bandeira

O avanço também é percebido na região oeste, onde já são mais de 44 mil casos e 623 mortes. Em Toledo, de acordo com o Município, na próxima semana deve voltar a ser adotada a bandeira laranja. Em Curitiba, mesmo com recordo no número de casos pelo terceiro dia, a Prefeitura de Curitiba optou por manter a bandeira amarela, que significa primeiro nível de alerta de contágio para a covid-19, mas não descarta rever a situação no próximo fim de semana.

Sesa anuncia reativação de leitos

Com o aumento expressivo e rápido da doença, e o agravamento de quadros, as taxas de ocupação de leitos para o tratamento da doença também vem crescendo.

Com isso, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) voltou a reativar leitos exclusivos para o tratamento da doença. Nessa sexta, o Estado já havia reativado 119 vagas em relação a quinta, dos quais 46 leitos são de UTI.

O secretário Beto Preto anunciou a abertura de 48 leitos de UTI em Curitiba e Região Metropolitana até a próxima segunda (23) e 130 em todo o Estado. A Sesa também renovou contratos com médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem contratados para o enfrentamento da pandemia e que, com reativação dos leitos, voltam ao trabalho.

Mesmo com a ampliação do número de vagas, a taxa de ocupação das UTI SUS não registrou queda em relação a quinta e se manteve em 74%, já na Macrorregião Oeste houve aumento de um ponto percentual e subiu para 57%.

O boletim estadual informou que 1.885 pacientes estavam internados em leitos exclusivos para o tratamento da covid-19. Desses, 725 com diagnóstico confirmado de covid-19 e outros 1.160 aguardam resultados de exames.

 

Taxa de ocupação de leitos no oeste
Cidade UTI Enfermaria
Assis Chateaubriand 64,29% 21,43%
Toledo 37,50% .
Cascavel 50,00% 37,20%
Foz do Iguaçu 79,78% 67,57%
Macro-Oeste 57% 59%
Paraná 74% 59%
Internados no Paraná UTI Enfermaria
725 pacientes 338 387
1.160 internados aguardando exame
57.200 ativos (em isolamento ou receberam alta)
10. 418 amostras em análise

Foz recebe respiradores

No oeste, em Foz do Iguaçu o Município ativou quatro novos leitos de UTI e recebeu da Sesa, 20 monitores e mais 20 respiradores que serão destinados à abertura de leitos no Hospital Municipal. Mas, de acordo com a administração, para que as vagas sejam abertas é necessária a contratação de médicos. A ideia é que, conforme os profissionais sejam efetivados, os leitos sejam ativados de forma gradual.

Os números de casos e óbitos de Foz do Iguaçu estão aumentando e relacionados a diversos fatores. “É importante dizer que o Estado se colocou ao lado do Município no sentido de prover condições e infraestrutura de atenção hospitalar para que eventuais casos que pudessem aparecer sejam eles de paraguaios, brasileiros e brasiguaios ou ainda dos turistas que tivessem na região em que se necessário atendimento pudessem ter”, completou o diretor-geral da secretaria, Nestor Werner Junior.

Volta às aulas suspensa

O secretário Beto Preto ressaltou que o momento pede que as flexibilizações que estavam sendo planejadas sejam interrompidas e isso inclui a volta às aulas presenciais. “Esse é o momento de interromper a volta às aulas e outras ações nesse sentido. Os municípios têm sua autonomia, mas diante dessa situação com o aumento de casos é preciso tratar com atenção do assunto”, ressaltou o secretário.

Ao ser questionado sobre a manutenção das atividades extracurriculares presenciais, o secretário afirmou que elas serão mantidas, pois o protocolo estabelecido está sendo seguido. Sobre a possibilidade de medidas drásticas, o secretário foi cauteloso. Ele não descartou possíveis determinações, mas ressaltou a necessidade de avaliação dos números em um período maior. “A medidas drásticas sempre estão no radar, mas é preciso aguardar mais uma semana para verificar o comportamento dos números. Acreditamos que esse aumento expressivo seja resultado do acumulo de feriados registrado em um curto período de tempo e também de toda a movimentação de pessoas gerada pelo período eleitoral que terminou no último domingo (15)”, frisou Beto Preto.

O secretário ainda alertou para o fato de que o aumento de casos não era esperado para esta época, mas uma segunda onda era prevista para o outono, que começa em março. “Nesse momento não esperávamos esse aumento, ele é resultado sim de aglomerações, movimento de pessoas nas ruas e principalmente desrespeito ao uso de máscara, álcool gel e as medidas que foram implantadas lá no início. Por isso precisamos que todos façam a sua parte, para que possamos passar por mais essa etapa” complementou Beto Preto.