Copel, Estado e POD se unem em projeto-modelo

Sistema inteligente quer avaliar desempenho de geração com biodigestores e placas solares

Foz do Iguaçu – Os elevados investimentos feitos pela Copel fora do Estado em anos anteriores ocasionando certa omissão com o Paraná, a falta de diálogo e entendimento registrados nos últimos três anos entre o Estado e o setor produtivo começam a ser vistos e medidas que estavam estacionadas voltaram a caminhar e a promessa é para que respostas sejam dadas a um problema crescente, sobretudo nas regiões oeste e sudoeste do Paraná.

O objetivo é ambicioso. O projeto em desenvolvimento na região promete servir como modelo para a geração de energia ao Brasil. Assim, essa cadeia regional sairia de uma situação de deficitária para se tornar exemplo nacional, casando a geração por biodigestores e placas solares intermitentes.

Assim, já está em elaboração – a muitas mãos – um projeto fundamentado pela viabilidade econômica e pelo desenvolvimento. A meta é, até o início do próximo semestre, ter concluído um plano de ação que promete colocar fim a um problema latente e que vem travando o crescimento: a qualidade e o fornecimento da energia elétrica em todas as fases da produção.

Pela primeira vez uma comissão multidisciplinar reúne setor produtivo e Estado para tratar do problema. Esse grupo de trabalho já realizou encontros e envolve o POD (Programa Oeste em Desenvolvimento), a partir da sua Câmara Técnica de Energia, a Copel, a Secretaria de Estado do Planejamento, o PTI (Parque Tecnológico de Itaipu) e a Secretaria de Estado da Fazenda. A discussão vai além do fornecimento de energia sem interrupções e picos – reivindicação antiga do setor produtivo da região oeste – e trata ainda de incentivos fiscais na geração e na distribuição de energia limpa e renovável.

Entre as medidas avaliadas está a isenção, por um período que pode variar de dez a 12 anos, do ICMS sobre a geração. No ano passado o governo do Estado chegou a anunciar a isenção, mas por apenas quatro anos, o que é considerado inviável diante dos investimentos que precisam ser feitos e do tempo que o projeto demora para se pagar.

Após os encontros e os estudos do grupo de trabalho, uma proposta deverá ser entregue já formatada, em no máximo três meses, ao governador Ratinho Junior.


Copel deixou de investir no Paraná, alerta presidente do POD

A ideia, segundo o presidente do POD, Danilo Vendruscullo, é estimular a implantação de redes de energia alternativa e renovável. Reconheceu-se, portanto, que todas as medidas que vinham sendo adotadas por governos anteriores eram de proteção à Copel e aos caixas do Estado, onde se avaliava apenas a condição de menos recolhimento de impostos. “Essa é uma visão muito imediatista. O projeto de energia alternativa não caminha na substituição do uso da energia fornecida pela Copel. Essa geração seria jogada para a rede e suportaria os picos de energia da Copel, evitando as quedas constantes forçadas pela falta de investimentos da companhia. Há o reconhecimento de que a Copel vinha, até então, investindo muito em outros estados e deixando o Paraná de lado”, afirma Danilo.

Ainda acerca da visão de arrecadação menor de receita, Danilo completa: “Antes havia a justificativa de que o Estado abriria mão de receita fiscal. Mas é o contrário. Não se abre mão de arrecadar, se gera uma série de outros investimentos que garantem mais receita, como é o caso do emprego e da renda e se resolve um problema que trava o desenvolvimento. Da forma como está hoje não temos como aconselhar o setor produtivo a fazer investimentos, é um risco”, reforçou.

“Foram erros estratégicos dos governos anteriores, a fundamentação é muito clara, qualquer país desenvolvido dá amplo incentivo às energias alternativas. É assim na Alemanha, na Áustria, na Franca… existe uma política mínima de dez a 12 anos de [isenção fiscal] incentivo, exemplos não faltam ao redor do mundo”, reforçou.

O “pulo do gato” avaliado pelo GT, e que pode servir como exemplo nacional, está no projeto desenvolvimento em Entre Rios do Oeste, onde a Copel investiu na geração de biogás e energia a partir de dejetos lançados em biodigestores. A usina começa a operar em maio e tem capacidade de geração de meio megawatt. Essa proposta de adensamento de animais casa com a solução de um impacto ambiental vivido na região.

Estudos a serem realizados

Como maior produtora de proteínas do Paraná, os dejetos e as carcaças de animais mortos geram um passivo que poderia ser resolvido única e exclusivamente com a viabilização de biodigestores. Não é uma medida nova, mas vai ganhar incrementos, assegura Danilo Vendruscullo.  “Um segundo projeto, com essa mesma base, está sendo construído em Toledo, mas que terá a geração de um megawatt. O que temos proposto à Copel e ao Estado é realizar estudos dentro das duas estações também com painéis solares que possam contar com um sistema inteligente na forma de jogar energia na boca [para imediata utilização]. A energia solar não se armazena, aliás, só se armazena com baterias, mas é inviável porque é muito caro, mas a energia em biodigestores pode ser armazenada a partir do gás e do biometano, com uma qualidade maior. Um sistema inteligente pode permitir lançar essa energia para a rede quando houver pico, falha na interrupção e isso pode servir como um modelo ao Estado e ao País”, reforça, ao lembrar que esse projeto resolveria dois entraves, o da energia elétrica e os impactos ambientais. “E tudo isso deixaria o nosso setor produtivo ainda mais competitivo”, acrescenta.

Reportagem: Juliet Manfrin



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