Reportagem: Marina Kessler

Foto: Aílton Santos

Muita gente sabe e aprende desde cedo que direção e bebida alcoólica são combinações que não dão certo. Mas, por imprudência, em 2008, Altair Antonio Alves seguiu pela BR-163, entre Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, alcoolizado, quando sofreu um grave acidente. Ele perdeu o movimento das pernas e ficou paraplégico. O amigo, que estava de carona, morreu.

Uma década depois, já recuperado do trauma, Altair estabeleceu uma meta: conscientizar os motoristas, por meio de campanhas educativas, sobre a importância de dirigir defensivamente.

“Depois do meu acidente e do período em que fiquei em reabilitação, refleti sobre tudo que havia ocorrido e decidi contar a minha história a outras pessoas para que não cometam o mesmo erro”, conta. Ele lembra que as campanhas começaram no Sudoeste do Paraná, região onde morava, em parceria com autoescolas. A conscientização, neste caso, começava no processo da primeira habilitação.

Em Cascavel, o trabalho iniciou há quatro anos junto com o Ministério Público. A mais recente palestra foi na noite de terça-feira (8), no Centro Universitário Univel, durante a campanha Maio Amarelo. Lá, Altair impactou os jovens com sua trajetória e mostrou as consequências de se dirigir embriagado, uma das principais causas de acidentes de trânsito.

Quase uma década depois do acidente, Altair já levou a sua história a mais de três mil pessoas. Para ele, ainda há muito trabalho pela frente. “É um trabalho de formiguinha. Precisamos levar essa fala aos jovens o mais cedo possível, para que sejam evitadas novas tragédias”, afirma.

Somos nós

O promotor de Justiça, Alex Fadel, que também participou da palestra, comenta que o tema da campanha Maio Amarelo deste ano, denominada “O trânsito somos nós”, mostra que é necessário identificar a responsabilidade de cada um enquanto motorista. “As pessoas costumam jogar a responsabilidade nos outros, se omitem em várias situações, o que dificulta essa educação no trânsito”, relata.

Fadel reforça que além da embriaguez ao volante, o uso do celular também tem contribuído para o aumento no número de acidentes. “Hoje em dia celular é algo que faz parte da pessoa. Mas dirigindo a coisa fica complicada. Temos que nos policiar, a responsabilidade é isso”, exemplifica.

Legenda: O palestrante e paratleta, Altair Antonio Alves

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O contato com o esporte

Além das campanhas, Altair é paratleta, e faz parte do time de basquete em cadeira de rodas de Cascavel e está como presidente da Associação dos Paratletas do município.

O interesse pelo esporte surgiu após o acidente e desde então segue dedicado aos treinos. “Quando fiquei paraplégico não consegui voltar ao trabalho que tinha em um abatedouro de aves. Naquela época perdi trabalho, amigos, muitas das coisas que tinha adquirido. Voltei à estaca zero. Mas hoje como paratleta me encontrei e pretendo seguir com isso até quando Deus me der saúde”, diz.