Brasília – O Ministério da Segurança Pública e a FAB (Força Aérea Brasileira) assinaram ontem (27), em Brasília, um termo de parceria que permite que a pasta repasse R$ 140 milhões para a Aeronáutica adquirir três radares móveis para reforçar a fiscalização nas fronteiras do Brasil. Os radares de baixa altitude poderão ser usados em qualquer ponto, conforme recomendações dos serviços de inteligência. A prioridade, no entanto, deverá ser as fronteiras com o Paraguai e a Bolívia.

O anúncio da parceria já tinha sido antecipado pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, em 29 de setembro. Ao visitar Cascavel, no oeste do Paraná, Jungmann anunciou que o convênio para a aquisição de radares aéreos de baixa altitude – uma espécie de drones – permitirá o reforço do combate à entrada de armas e drogas no País por meio do monitoramento de aeronaves que sobrevoem a faixa de fronteira. A aquisição dos radares ainda será alvo de licitação e ainda não há prazo para entrar em funcionamento.

O ministro afirmou que o repasse dos recursos à FAB surtirá efeito direto e imediato na segurança da população, "blindando" as fronteiras e "inibindo o tráfico de drogas e de armas". “[Este repasse] Significa dizer que estamos fechando o espaço aéreo para o transporte criminoso […] Porque sabemos que cada centavo será utilizado e multiplicado em termos de garantias e de [proteção] à soberania nacional”, disse Jungmann, acrescentando que, há tempos, a questão das fronteiras é uma preocupação nacional.

"Temos cinco países vizinhos que são ou grandes produtores ou refinadores ou passagem de drogas. Substâncias que, quando ingressam por nossas fronteiras, se transformam em violência, em tragédia”, acrescentou o ministro, garantindo que, após a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Medida Provisória (MP) 846/18, o presidente da República, Michel Temer, deve sancionar, em breve, a lei que torna obrigatória a destinação de parte dos recursos arrecadados com loterias esportivas administradas pela Caixa para o Fundo Nacional de Segurança Pública, injetando cerca de R$ 2 bilhões no setor no próximo ano. Jungmann antecipou ainda que convênios semelhantes devem ser assinados também com o Exército e com a Marinha.

E o Vant?

Vigiar o espaço aéreo na fronteira do Brasil com o Paraguai não é novidade. Em 2009, o governo brasileiro adquiriu dois veículos aéreos não tripulados, conhecidos como Vants, que começaram a operar em 2011 em caráter experimental. Carregados com câmeras de alta resolução e capazes de repassar informações às equipes em terra em tempo real, os Vants podiam alcançar até 6 mil metros de altitude, tornando-se praticamente invisível a olhos nus.

A intenção era investir cerca de R$ 600 milhões até 2014 a fim de permitir ao Brasil “se apropriar” da tecnologia necessária para fabricar seus próprios Vants. No entanto, foram desativados em 2016. Hoje uma dessas aeronaves está desmontada em um galpão em São Miguel do Iguaçu.