Com pressão, Ratinho garante transparência na concessão dos trilhos

Ontem, em Cascavel, durante o Show Rural, o governador Ratinho Júnior anunciou que a disputa também ocorrerá na Bolsa de Valores por meio de ações disputadas no mundo inteiro, mesmo modelo usado nas concessões das rodovias paranaenses.

Reportagem: Josimar Bagatoli

Cascavel – Os processos de concessões sobre os cobiçados trilhos paranaenses terão total transparência por parte do governo do Estado. Com previsão para o fim do contrato com a Rumo Logística, que detém parte das linhas férreas do Estado, em 2026, comissões internas atuam no acompanhamento do certame. Ontem, em Cascavel, durante o Show Rural, o governador Ratinho Júnior anunciou que a disputa também ocorrerá na Bolsa de Valores por meio de ações disputadas no mundo inteiro, mesmo modelo usado nas concessões das rodovias paranaenses. “O governo não pode indicar isso para uma empresa: isso vai para a Bolsa de Valores. Se o Zé ou o Mané vai ganhar, não vou poder dizer… é a Bolsa quem decide. O melhor lance a uma série de regramentos que vai se colocar e decidir. Não vamos fazer qualquer tipo de indicação ou de escolha de empresa”, garantiu o governador.

A declaração alivia uma tensão existente entre as cooperativas. É que a Rumo quer prorrogar o contrato atual e ainda assumir o trecho administrado pela Ferroeste. A Rumo chegou a prometer R$ 6 bilhões em investimentos, em cinco anos, com a condição de que ocorra a antecipação da concessão, e obras que potencializariam o transporte pelos trilhos no oeste do Paraná, passando para 8 milhões de toneladas ao ano e, em consequência, a Ferroeste seria engolida pela iniciativa privada.

A prorrogação do contrato atual está em avaliação no TCU (Tribunal de Contas da União). “A renovação, quem vai decidir, é o TCU. O fato de fazermos parceria com a Rumo para aumentar a capacidade de cargas é para atender momentaneamente essa produção crescente no oeste de maneira fabulosa, não só em grãos, mas também em industrialização por meio das nossas cooperativas”, diz Ratinho Júnior, referindo-se a recente acordo firmado para dobrar a capacidade de escoamento da Ferroeste.

Um documento repassado pelo Instituto de Engenharia do Paraná aponta apoio para que a Rumo antecipe a concessão, só que esse documento é rechaçado pelos cooperativistas.

Ratinho garante que não haverá privilégios: “Estamos fazendo esse estudo para apontar o melhor traçado, o tamanho dos investimentos e, acima de tudo, colocar as obrigações que os próximas operadores terão. Tudo na bolsa de valores”, repetiu.

A expectativa da Ferroeste é o EVTEAJ (Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Jurídica) da Nova Ferrovia, de Paranaguá a Maracaju (MS) e do ramal ferroviário de Cascavel a Foz do Iguaçu. O custo total desse levantamento será de R$ 25 milhões.

Ano passado, pela primeira vez na história a Ferroeste fechou o ano sem prejuízo.

Trevo Cataratas

Ratinho reafirmou o início das obras do Trevo Cataratas, fruto do acordo de leniência entre a Ecocataratas e o Ministério Público Federal. A resistência da empresa foi combatida durante negociação intermediada pelo governo. “A empresa não queria de forma alguma fazer a obra, que será uma das cinco maiores de engenharia no Brasil… algo complexo, que exigirá de operários 24 horas sobre o projeto para que o prazo de entrega seja cumprido”, afirma Ratinho.

Devido à resistência da empresa, o prazo para o acordo sofreu atraso de 90 dias. “Colocamos de forma clara que, se não tivesse o Trevo Cataratas na mesa, não faríamos parte de aval algum de leniência”.

Também serão executados pelo Estado seis quilômetros de duplicação da BR-277 do Posto da Polícia Rodoviária Federal até o Trevo de São João. Os projetos também foram doados pela concessionária, mediante acordo na Justiça. “Já temos dinheiro para a obra e logo ela começa. A Acic [Associação Comercial e Industrial de Cascavel] doou os R$ 300 mil para atualizar o projeto… não é algo que vai demorar, no máximo 40 dias ficará pronto e, estando pronto, vamos iniciar o processo licitatório”, acrescentou o governador.

Estima-se que a obra custe R$ 100 milhões, incluindo as indenizações das áreas afetadas.

 

 

 

 



Fale com a Redação

três × 2 =