Os colégios estaduais Arnaldo Busatto e Ayrton Senna da Silva suspenderam aulas presenciais devido à incidência de covid-19. Agora, são 13 instituições da área de abrangência do Núcleo Regional de Educação de Foz do Iguaçu (NRE) com casos da doença na comunidade escolar, desde o reinício das aulas presenciais, no último mês de maio.

No Arnaldo Busatto, um aluno do Ensino Médio foi infectado pelo novo coronavírus, e as aulas presenciais para a sua turma foram suspensas por dez dias, com os professores que tiveram contato com a classe devendo fazer trabalho remoto. Dias antes, após o recesso de julho, uma aluna havia sido diagnosticada com a doença, sem suspensão das classes.

O retorno das atividades em sala estava previsto para ocorrer nesta sexta-feira (6). Anteriormente, em 12 e 15 de julho, dois agentes educacionais do estabelecimento de ensino já haviam comunicado que estavam com covid-19. Pouco depois, a partir do dia 19, o colégio manteve formação pedagógica presencial para os educadores.

No Colégio Ayrton Senna da Silva, devido à confirmação de covid-19 em uma professora, foram suspensas seis turmas do Ensino Fundamental, que é frequentado majoritariamente por adolescentes com idades entre 11 e 14 anos. A dispensa dos alunos será mantida até o próximo dia 11 de agosto.

As ocorrências de covid-19 na comunidade escolar seguem acontecendo quando aumenta o número de confirmações da variante delta do coronavírus, a qual já soma 54 casos e 18 óbitos no Paraná. A cepa indiana, considerada de circulação mais rápida, tem transmissão comunitária no estado, segundo as autoridades sanitárias.

Diretor da APP-Sindicato/Foz, Silvio Borges lembra que os colégios Arnaldo Busatto e Ayrton Senna da Silva estão entre os que cancelaram as aulas remotas. “Os novos casos de covid-19 nesses dois colégios só evidenciam, uma vez mais, o risco das aulas presenciais durante a pandemia para professores, estudantes e suas famílias”, avalia.

“Não há uma barreira de proteção entre a escola e as residências. Ou seja, a comunidade escolar, pais, mães, irmãos e avós, todos estão expostos à doença”, argumenta. No Paraná, apenas 21% da população está imunizada contra a covid-19, e não há data para a vacinação entre adolescentes e jovens.

“Some-se a isso tudo a desorganização pedagógica: as aulas on-line foram suspensas em várias escolas, mas, quando ocorrem casos de covid-19, estudantes e professores têm de voltar a esse modelo, ao Meet”, ressalta. “É uma precariedade muito grande, que desestabiliza os ambientes escolar e familiar”, aponta Silvio Borges.

Direito dos estudantes

O dirigente sindical afirma que o direito dos estudantes à educação não está sendo assegurado pelo Governo do Paraná. Primeiro, devido à interrupção das aulas on-line, o que obriga adolescentes e jovens a ir para as escolas presencialmente, já que a entrega do material impresso, sem orientação profissional, é insuficiente para a aprendizagem.

Além disso, frisa Silvio Borges, uma determinação da Secretaria de Estado da Educação está impondo o ensino presencial. Nesse documento (Ofício Circular nº 051/2021 – DEDUC/SEED), o NRE deve tomar medidas junto aos responsáveis de estudantes que não autorizaram o retorno presencial dos alunos, exigindo inclusive justificativas por escrito.

“Os adolescentes e jovens têm o direito ao acesso à educação. Toda e qualquer forma de violação dessa garantia precisa ser denunciada por pais, mães e responsáveis”, assevera. “O governo usou um engodo para a sociedade ao dizer que aulas presenciais não seriam obrigatórias na pandemia. A administração estadual deve respeitar a vontade das famílias”, finaliza.

Colégios do NRE de Foz do Iguaçu com ocorrências de covid-19, desde a volta às aulas presenciais:

– Foz do Iguaçu (que suspendeu todas as aulas presenciais por um período): Arnaldo Busatto, Ayrton Senna da Silva, Barão do Rio Branco, Castelo Branco, Costa e Silva, Jorge Schimmelpfeng e Pioneiros;

– Santa Terezinha de Itaipu: Dom Manoel Konner e Angelo Antonio Benedet;

– São Miguel do Iguaçu: Dom Pedro II;

– Medianeira: Naira Fellini (mais uma escola teve caso confirmado na cidade, mas o nome não é divulgado, a pedido da educadora); e

– Missal: Padre Eduardo Michelis.

(APP-Sindicato/Foz)